O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Mike Waltz, assumiu nesta terça-feira a "total responsabilidade” por ter adicionado por engano um jornalista a um grupo de conversa no qual altos funcionários discutiam ataques iminentes no Iêmen. “Assumo toda a responsabilidade. Fui eu quem criou o grupo; meu trabalho é garantir que tudo esteja coordenado”, declarou Waltz à Fox News, em sua primeira entrevista desde que a revista The Atlantic revelou a falha. Ele afirmou que não conhece pessoalmente Jeffrey Goldberg, o jornalista que foi adicionado por engano ao grupo.
O senador democrata Mark Warner, membro da Comissão de Inteligência, denunciou o que chamou de um padrão de "comportamento descuidado e incompetente" do governo com relação ao manuseio de informações confidenciais. "Tirando o fato por um momento que informações confidenciais nunca devem ser discutidas em um sistema não confidencial, também é simplesmente incompreensível", declarou.
Entre as autoridades ouvidas, estão o diretor do FBI, Kash Patel, o diretor da CIA, John Ratcliffe, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard. Eles também irão depor na Câmara nesta quarta-feira, 26. Aos senadores, Ratcliffe afirmou que as informações no Signal não incluíam informações confidenciais.
"Minhas comunicações, para deixar claro, no grupo de mensagens do Signal eram inteiramente permitidas e legais e não incluíam informações confidenciais", disse o diretor da CIA. Segundo fontes ouvidas pelo portal americano Politico, após o vazamento houve pedidos para que os envolvidos renunciassem. Isso inclui o conselheiro de segurança nacional de Trump, Mike Waltz.
O relato publicado na The Atlantic diz que foi Waltz quem convidou o jornalista a participar do grupo. Diversas autoridades do governo classificam a atitude de Waltz como "imprudente". Uma outra fonte ouvida pelo Politico chamou o conselheiro de segurança de "idiota". "Todos na Casa Branca podem concordar em uma coisa: Mike Waltz é um idiota."
Os pedidos de renúncia também são direcionados ao secretário de defesa, Pete Hegseth, que também estava no grupo. O presidente do Comitê Nacional Democrata, Ken Martin, chamou Hegseth de "inapto". "Assim como seu chefe Donald Trump, Hegseth - e todos os outros envolvidos - demonstraram uma imprudência impressionante e desrespeito pela nossa segurança nacional", disse em um comunicado.
O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, tentou amenizar a situação. "Acho que seria um erro terrível haver consequências adversas para qualquer uma das pessoas que estavam envolvidas naquela ligação", disse Johnson. "Eles estavam tentando fazer um bom trabalho, a missão foi cumprida com precisão."