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Conselho de segurança da ONU pede fim do bloqueio a Gaza

Em declarações individuais, membros se mostram a favor do fim de embargo

ONU debate fim do bloqueio a Gaza
ONU debate fim do bloqueio a Gaza Foto : Gali Tibbon / AFP / CP
Membros do Conselho de Segurança da ONU criticaram nesta segunda-feira o ataque israelense a uma frota humanitária destinada aos palestinos, e pediram o fim do bloqueio a Gaza. Em declarações individuais antes de um eventual pronunciamento oficial do Conselho de Segurança, seus 15 membros tomaram a palavra, quase todos para condenar o ataque israelense que matou uma dezena de pessoas.

"Está mais claro do que nunca que as restrições israelenses ao acesso a Gaza têm de ser levantadas, tal como exige a resolução 1860 do Conselho de Segurança", disse o representante da Grã-Bretanha, Mark Lyall Grant. Segundo Grant, "o atual bloqueio é inaceitável e contraproducente". França, Rússia e China - também membros permanentes com direito a veto - pediram o fim do bloqueio e uma investigação independente da tragédia.

Os Estados Unidos - tradicionais aliados de Israel - não falaram especificamente sobre o fim do embargo a Gaza, mas pediram ao menos para aliviá-lo. "Vamos continuar pedindo diariamente aos israelenses que ampliem o espectro de bens autorizados a entrar em Gaza, para atender toda a gama de necessidades humanitárias da população", disse Alejandro Wolff, embaixador adjunto dos Estados Unidos nas Nações Unidas.

No entanto, para o representante de Israel, Daniel Carmon, "não há crise humanitária em Gaza". "Apesar de os meios de comunicação apresentarem a frota como uma missão humanitária para entregar ajuda a Gaza, ela não tinha nada de humanitário", assegurou. "Não eram ativistas pacíficos nem mensageiros da boa vontade", disse o diplomata israelense. "Utilizaram cinicamente uma plataforma humanitária para enviar uma mensagem de ódio e implementar a violência", completou.

O secretário-adjunto da ONU para Assuntos Políticos, o argentino Oscar Fernández Taranco, apresentou um relatório oral sobre a situação. Disse que "ao menos 10 pessoas foram mortas e pelo menos 30 ficaram feridas" na frota integrada por ativistas de diversos países, e que "ao menos seis militares israelenses ficaram feridos".

Itamaraty pede declaração forte da Onu

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu nesta segunda-feira ação e "uma declaração forte" das Nações Unidas em relação ao ataque militar de Israel contra um comboio de barcos que levava ajuda humanitária internacional para a Faixa de Gaza. "Não poderíamos ter ficado mais chocados do que com um evento deste tipo. Espero que o Conselho de segurança dê uma declaração forte. É algo que realmente necessita de algum tipo de ação da ONU, porque vai ficar uma marca muito forte", disse Amorim à imprensa em Brasília. O ministro qualificou o episódio de violência como "um ato muito grave".