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Em sua nota, o Conselho de Segurança, com seus 15 membros, condenou a violência e o uso da força contra civis, lamentou a repressão contra manifestantes pacíficos e expressou um "profundo pesar pelas mortes de centenas de civis". Também "ressaltou a necessidade de responsabilizar os culpados pelos ataques, incluindo os realizados por forças sob seu controle, contra civis", informou o comunicado divulgado após três horas de consultas e negociações.
O Conselho disse que o governo líbio deve "proteger sua população", permitir o acesso de monitores internacionais de direitos humanos e de agências humanitárias e garantir a segurança de estrangeiros, assim como ajudar aqueles que queiram partir. Diplomatas líbios que romperam com o líder Muamar Kadhafi haviam solicitado a reunião, e pediram uma zona de proibição de voo sobre o país imposta pela ONU, assim como ação humanitária. Mas diplomatas afirmaram que estes planos não foram discutidos.
Ibrahim Dabbashi, o embaixador adjunto da Líbia na ONU, afirmou à imprensa que o comunicado do Conselho "não era forte o suficiente" e que, desde o discurso desafiador de Kadhafi, começaram ataques contra civis no oeste da Líbia. Ele citou Gharyan, Zuwarah e outras cidades que, segundo ele, estavam sob o ataque de forças de segurança leais a Kadhafi. Dabbashi não divulgou a fonte de sua informação ou que tipos de ataques estavam ocorrendo. "Eles estão atacando todas as pessoas em cidades do oeste da Líbia", disse. "Certamente as pessoas não têm armas. Neste momento eu penso que o genocídio começou na Líbia", acrescentou, antes de ser escoltado para fora por seguranças da ONU.
Kadhafi ordenou mais cedo às forças de segurança que esmaguem a revolta, que já dura uma semana e que pede sua saída do poder após 41 anos, alertando que manifestantes armados serão mortos e prometendo lutar até o fim. O coronel Kadhafi prometeu permanecer na Líbia como líder, dizendo que morrerá como um mártir na terra de seus ancestrais e que lutará até a "última gota" de seu sangue.
Brasileiros serão resgatados de barco
Sem a possibilidade de deixar a Líbia de avião, por conta do fechamento do espaço aéreo, os cerca de 130 brasileiros que trabalham para a Queiroz Galvão, em Benghazi, serão resgatados de barco. Pelo mar, eles serão levados até Malta, conforme a a assessoria de imprensa do Itamaraty revelou nesta terça-feira.
Segundo a chancelaria brasileira, as embaixadas no Cairo, em Roma e em Atenas se mobilizaram para resolver a situação dos brasileiros que se encontram na cidade. O resgate deve ocorrer entre quarta e quinta. As despesas com o barco serão pagas pela própria empresa, de acordo com o governo.
Para ajudar na retirada de brasileiros, o governo francês colocou à disposição dois aviões com autorização de pouso na Líbia, informou a chanceler Michèle Alliot-Marie, após encontro com o ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota. Os dois condenaram com veemência os atos violentos contra os opositores ao regime de Muamar Kadhafi.
Patriota classificou como "inadmissível" e "inaceitável" a reação do governo líbio contra manifestantes desarmados. "A notícia relativamente tranquilizadora para os que estão em Benghazi é que a cidade amanheceu sem distúrbios nesta quarta, de modo que esperamos que seja essa a situação enquanto eles não conseguem deixar o país", afirmou o ministro.
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