O Conselho de Segurança da ONU aprovou a retomada das sanções econômicas ao Irã devido ao seu programa nuclear. A decisão, tomada nesta sexta-feira, veio após Reino Unido, França e Alemanha alegarem que o Irã violou os termos do acordo de 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Abrangente (JCPOA). O tratado, assinado com o objetivo de impedir que Teerã desenvolva armas nucleares, tem sido alvo de crescentes tensões.
A embaixadora britânica, Barbara Woodward, ressaltou a urgência da situação: "Instamos [o Irã] a agir agora." Apesar da decisão, Woodward manteve a porta aberta para a diplomacia, mencionando a possibilidade de novas discussões durante a Assembleia Geral da ONU na próxima semana.
Proposta iraniana é rejeitada e acordo de 2015 se desintegra
Em uma tentativa de evitar as sanções, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, apresentou uma proposta "justa e equilibrada" às potências europeias. No entanto, o presidente francês, Emmanuel Macron, já havia indicado que a imposição das sanções era iminente.
Em uma carta à ONU, os três países europeus denunciaram que o Irã acumulou um estoque de urânio 40 vezes superior ao permitido pelo JCPOA e não demonstrou progresso concreto nas negociações. A Rússia e a China, que se opunham ao retorno das sanções, não conseguiram garantir os votos necessários para bloquear a ação.
O acordo de 2015, que demorou anos para ser alcançado, foi seriamente comprometido em 2018, quando os Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, se retiraram do pacto e reimposeram sanções ao Irã. Após a saída americana, Teerã intensificou suas atividades nucleares, distanciando-se gradualmente das obrigações do tratado.
Tensões e desafios diplomáticos
A tensão entre Irã e as potências ocidentais se intensificou após a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, ocorrida em junho. O conflito interrompeu as negociações nucleares e levou o Irã a suspender a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Inspetores da agência foram retirados do país e o Irã, em protesto, se retirou de um projeto de resolução da AIEA que pedia a proibição de ataques a instalações nucleares.
Apesar da retirada americana do JCPOA em 2018, as potências europeias afirmam ter "bases legais inequívocas" para acionar a cláusula de retorno das sanções. O Irã, por sua vez, discorda da interpretação e ameaçou se retirar do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) caso a cláusula seja ativada.
Esta não é a primeira vez que a cláusula de retorno de sanções é tentada. Em 2020, Donald Trump tentou ativá-la, mas falhou devido à retirada unilateral dos EUA do acordo dois anos antes.