Donald Trump enfrentou nesta terça-feira uma verdadeira rebelião da ala mais conservadora do Partido Republicano em relação ao projeto de reforma do sistema público de saúde "Obamacare". Para esses parlamentares, o plano anunciado na noite de segunda-feira por um grupo ligado à direção republicana e apoiado pela Casa Branca é muito parecido com o sistema atual, e não promove uma retirada completa do Estado do mercado de planos de saúde.
A revolta inclui parlamentares ligados à ala ultraconservadora do partido conhecida como Tea Party, que abriga nomes como Dave Brat e o senador e ex-aspirante à presidência Rand Paul. "Esse é um Obamacare light, e não será aprovado. Os conservadores não irão apoiar essa ideia", disse Paul nesta terça-feira.
Se o movimento conseguir manter sua motivação, pode fazer fracassar a ideia de reforma do sistema "Obamacare", uma das mais importantes promessas de campanha de Trump. É esperado que os parlamentares democratas votem contra a reforma, e por isso os republicanos devem organizar uma unidade interna sólida para conseguir que a proposta consiga avançar.
Os republicanos controlam as duas câmaras do Congresso, porém a controvérsia quanto ao alcance da reforma do atual sistema de saúde tornou perceptível as divisões internas. A tentativa de reformar o sistema de saúde, sete anos após a emblemática lei sancionada por Barack Obama, terá seu primeiro teste nesta quarta-feira, quando duas comissões da Câmara de Representantes debaterem a proposta.
Diversas organizações conservadoras requisitaram formalmente na terça-feira o voto contra a proposta, que foi apresentada pelos líderes republicanos no Congresso. Entre esses poderosos grupos conservadores estão o Clube do Crescimento, os Americanos pela Prosperidade, e o influente Freedom Partners, sustentado pelos irmãos multimilionários Koch.
Em nota, o Clube do Crescimento classificou o projeto de reforma como sendo "um substituto defasado para um sistema controlado pelo governo". Trump, por sua vez, manteve reuniões com parlamentares republicanos, incluindo o chefe da bancada do Senado, e diante da imprensa declarou sentir-se "orgulhoso de apoiar o projeto de reforma".
O secretário de Saúde, Tom Price, disse nesta terça-feira que a apresentação do projeto é apenas "o início do processo", e que de agora em diante acontecerão intensas negociações. O presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, tentou minimizar as divisões entre os republicanos: "teremos 218 (votos) quando isto for ao plenário, posso garantir isto".
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