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Construções antigas de Curió foram devastadas pelo terremoto no Chile

Enviado especial Luciano Nagel visitou a cidade, uma das mais afetadas pelo tremor do dia 27 de fevereiro

Desafio das autoridades é abrigar moradores que perderam suas casas
Desafio das autoridades é abrigar moradores que perderam suas casas Foto : Luciano Nagel / Correio do Povo e Rádio Guaíba
A cidade de Curicó fica na região de Maule, na Província de Curicó. Para quem deixa a capital Santiago, está situada a cerca de 200 quilômetros em direção ao sul. Segundo as autoridades chilenas foi a mais destruída pelo terremoto da madrugada do dia 27 de fevereiro. Quem caminha pela cidade, que tem uma população de 130 mil habitantes, sente-se como se estivesse no período pós-guerra. Mesmo depois de uma semana após o abalo sísmico, a poeira ainda toma conta do ar.

De acordo com o prefeito, Hugo Rey, cerca de 90% das construções mais antigas, principalmente do centro da cidade foram destruídas pelo terremoto. “Acredito que em três anos iremos reconstruir Curicó. O povo chileno está se unindo para isso”, disse prefeito à reportagem do Correio do Povo e Rádio Guaíba.

A força do terremoto não poupou nem o único hospital cidade, que ficou em ruínas. Para atender a população, o exército chileno montou um hospital de campanha (PAME – Puesto de Atención Médica del Ejército) em um estacionamento localizado em frente a antiga instituição. Já, “los hermanos argentinos”, deixaram de lado as diferenças, e mostram que também são solidários, Eles estão oferecendo ajuda com outro hospital de campanha, com dois pavilhões para cirurgias, oito salas para pacientes críticos e 40 camas.

Ao redor da praça central, chamada Praça de Armas, pode-se ver os destroços o local que abrigava o centenário jornal da cidade (Diário La Prensa). A estrutura do prédio suportou, nada menos, do que oito terremotos, entre eles o de Chillán (1939), Valdivia (1960) e o de março de 1985. Todos com magnitude devastadora. No entanto, o terremoto da madrugada do dia 27 de fevereiro de 2010, levou o prédio ao chão.

Passando a praça, algumas quadras depois, em meio aos escombros e poeira, encontra-se o que sobrou da antiga Igreja de San Francisco. Admirada por muitos fieis, devido a sua arquitetura, o que restou agora, são histórias e lembranças. “Fui bautizada aqui, mis padres se casaron aqui, venia todos los domingos a rezar. Yo siento que una parte e mi se fue”, disse a chilena Francisca Gonzáles, de 69 anos, com os olhos cheios de lágrimas.

No momento o grande desafio das autoridades é abrigar os moradores que perderam suas casas. A maioria das residências antigas eram construídas com tijolo de adobe (composto de terra crua, água e palha) e por isso não resistiram a esse terremoto de magnitude 8.8 na escala Richter.

Luciano Nagel / Enviado Especial / Correio do Povo e Rádio Guaíba