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COP 31: Brasil apresenta na Turquia mapa do caminho para acelerar saída dos combustíveis fósseis

Documento detalha ações para transição energética e abandono progressivo dos hidrocarbonetos, considerando as realidades de cada nação

Documento  será abordado em 10 de novembro em Antália, antes da cúpula de líderes prevista para os dois dias seguintes
Documento será abordado em 10 de novembro em Antália, antes da cúpula de líderes prevista para os dois dias seguintes Foto : Divulgação/CP

O Brasil, que organizou a COP30 em Belém no ano passado, instou nesta terça-feira (3) que se acelere a transição para o abandono dos combustíveis fósseis, de acordo as circunstâncias de cada nação, ao publicar o mapa do caminho prometido na última cúpula climática.

O país divulgou seu documento a poucos dias da COP31 na cidade turca de Antália, entre 9 a 20 de novembro, onde delegações de cerca de 200 países estarão reunidas.

O texto é uma tentativa de concretizar o impulso criado com a histórica declaração da COP de Dubai, em 2023, em favor de uma saída progressiva dos combustíveis fósseis. Esse compromisso não constou no encerramento da cúpula de Belém, devido à pressão dos países produtores de hidrocarbonetos. Em contrapartida, a presidência brasileira anunciou que promoveria essa iniciativa voluntária, após ampla consulta a governos, empresas e pesquisadores.

"Abandonar os combustíveis fósseis é urgente" e "possível", afirma o documento de 182 páginas.

O texto "não cria novos compromissos" nem é fruto de uma negociação. Também não menciona ou avalia individualmente os países. Em vez disso, propõe uma metodologia esquemática que estabelece diferentes níveis de exposição, conforme a maior ou menor dependência dos Estados enquanto consumidores e produtores.

No caso das nações produtoras, recomenda revisar os subsídios ao consumo de combustíveis, capacitar trabalhadores para que mudem de setor e criar uma reserva fiscal suficiente para financiar uma diversificação.

No caso específico dos países altamente dependentes enquanto consumidores, mostra passo a passo o que fazer para satisfazer progressivamente sua demanda com base em energia eólica e solar acessível.

"Foi escrito para que cada país reconheça suas próprias circunstâncias na análise" proposta e aja de forma adequada "nesta década crítica", diz o relatório.

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Produção de alimentos em risco

"Onde está o Brasil é muito diferente de onde está a Guiana, a Noruega, os Estados Unidos ou o Canadá", afirmou a diretora-executiva da COP30, Ana Toni.

"O tipo de combustível fóssil que cada um desses países tem, tem características também diferenciadas", o que exige transições diferentes em cada caso, insistiu Toni, uma das principais promotoras do documento, que contou com contribuições de mais de 100 países.

Segundo Toni, o documento "inovador" será abordado em 10 de novembro em Antália, antes da cúpula de líderes prevista para os dois dias seguintes, mas não detalhou em que contexto. "Agora cabe à Presidência da COP31 dar continuidade ao trabalho do Brasil, e aos países apresentar seus próprios planos" rumo a "economias limpas e resilientes", comentou Katrine Petersen, especialista do grupo E3G.

Urgência histórica e o Acordo de Paris

O relatório insiste na urgência histórica do momento, com 75% de probabilidade de que o aquecimento global ultrapasse, nos próximos cinco anos, a meta de 1,5 ºC estabelecida pelo Acordo de Paris de 2015. Um cenário perigoso, que também pode afetar o setor alimentício.

"Sem uma adaptação eficaz" aos efeitos das mudanças climáticas, "a produção global de alimentos pode cair até 14% até 2050" e ameaçar a segurança alimentar de milhões de pessoas, afirma o documento. Petróleo, gás e carvão representam 73% das emissões de gases de efeito estufa. O Brasil apresentou paralelamente outro mapa do caminho para frear e reverter o desmatamento mundial até 2030.

O documento foi publicado dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sob seu terceiro mandato, o desmatamento anual na Amazônia brasileira - de agosto de 2025 a julho de 2026 - atingiu seu nível mais baixo desde o início dos registros históricos em 1988.

Nesta cúpula, a anfitriã Turquia definiu como uma de suas prioridades a eletrificação da economia, para reduzir emissões e aumentar a eficiência energética. O objetivo, estabelecido de forma voluntária, é que a eletricidade alcance uma participação de 35% no consumo global de energia até 2035, frente aos 23% atuais.