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COP30 é prorrogada por divergências para eliminar os combustíveis fósseis

Negociações iriam seguir após término formal do evento em Belém

Andre Correa do Lago, presidente da COP30
Andre Correa do Lago, presidente da COP30 Foto : Pablo Porciuncula / AFP / CP

As negociações climáticas da COP30 em Belém se prolongaram nesta sexta-feira (21) além do encerramento previsto para o evento, devido à falta de acordo sobre a declaração final. O principal ponto de divergência era a falta de referência à eliminação gradual dos combustíveis fósseis.

As delegações seguiam reunidas a portas fechadas desde as 18h, horário previsto para o término da conferência, para tentar fechar um acordo que reafirme o multilateralismo diante da emergência climática. Os países discutiam um projeto de acordo apresentado pela presidência brasileira, no qual sequer aparece a palavra 'fósseis', o que irritou cerca de 30 países.

Um esboço anterior mencionava um abandono dos combustíveis responsáveis pela imensa maioria dos gases do efeito estufa. “Claramente, não há um acordo sobre a mesa”, disse o comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra. “Vamos ver até onde podemos chegar. É um contexto muito complicado, em que precisamos encontrar um equilíbrio entre diferentes posições”, explicou a ministra espanhola da Transição Ecológica, Sara Aagesen, após se reunir com a presidência brasileira da conferência.

O presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, pressionou pela obtenção de um compromisso ou, caso contrário, aqueles que duvidam do multilateralismo “vão ficar absolutamente encantados”. “O tempo não pode ser um impedimento para que se faça o debate necessário”, interveio a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

As conferências das partes (COPs) sobre mudança climática costumam ultrapassar seus prazos.

Os quase 200 países-membros desta conferência da ONU sobre as mudanças climáticas aprovaram, há dois anos, na COP28 de Dubai, um chamado histórico para abandonar progressivamente os combustíveis fósseis, ou seja, o gás, o petróleo e o carvão. Embora não estivesse previsto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs em Belém dar um passo adiante para iniciar esse processo delicado, apesar da oposição de produtores poderosos, como a Arábia Saudita, e de muitos países emergentes que são consumidores.

Os Estados Unidos, país que é o principal produtor de petróleo do mundo atualmente, sequer estão presentes em Belém. A conferência pode terminar "sem um mapa do caminho claro, justo e equitativo para abandonar os combustíveis fósseis no mundo”, declarou em coletiva de imprensa a ministra colombiana do Ambiente, Irene Vélez, representando cerca de trinta países.

Vélez anunciou que seu país vai organizar uma conferência internacional para impulsionar o abandono dessa fonte de energia em 28 e 29 de abril do próximo ano em Santa Marta. "Quem são aqueles que mais bloqueiam? Todos sabemos. São os países produtores de petróleo, logicamente. Rússia, Índia, Arábia Saudita. Mas também muitos países emergentes se unem a eles", declarou à AFP a ministra francesa de Transição Ecológica, Monique Barbut.