A Coreia do Norte disparou vários mísseis balísticos em direção ao Mar do Japão, informou o Exército sul-coreano nesta segunda-feira (12), em meio a semanas de crescentes atritos provocados pela explosão de uma mina terrestre na faixa de fronteira militarizada entre os dois países. A explosão, que deixou três soldados sul-coreanos feridos no setor da DMZ (Zona Desmilitarizada), foi seguida por testes de tecnologias de mísseis aprimoradas por ambos os países.
A Coreia do Norte confirmou que havia testado um “míssil balístico tático para confirmar o sucesso na pesquisa para a melhora técnica de um importante elemento básico”, informou na terça-feira (noite de segunda, 12, no Brasil) a agência de notícias KCNA, sem fornecer mais detalhes.
O Ministério da Defesa do Japão confirmou, separadamente, o lançamento de pelo menos um suposto míssil balístico.
Já o Comando Militar dos Estados Unidos para o Pacífico informou que a Coreia do Norte lançou dois mísseis balísticos, mas afirmou que os disparos não representaram uma ameaça imediata ao pessoal ou ao território americano, nem aos de seus aliados.
O Estado-Maior sul-coreano destacou que alguns dos mísseis norte-coreanos detectados percorreram mais de 900 quilômetros. Após o lançamento, o Escritório de Segurança Nacional da Coreia do Sul convocou uma reunião de emergência para avaliar o nível de prontidão militar do país.
Em 3 de outubro, Pyongyang testou um míssil balístico de médio alcance que, segundo o governo norte-coreano, empregava inteligência artificial e era “capaz de mudar sua órbita de voo a baixa altitude”.
Dias depois, Seul anunciou ter testado com sucesso um veículo hipersônico planador (HGV), arma impulsionada em direção à alta atmosfera por foguetes ou mísseis balísticos antes de mergulhar sobre seus alvos a uma velocidade pelo menos cinco vezes superior à do som.
A escalada das tensões coincidiu com recentes gestos de aproximação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Coreia do Norte. As iniciativas despertaram o temor em Seul de que o país seja deixado de lado em futuras negociações sobre a questão nuclear com Pyongyang.
Em outubro, a Coreia do Norte lançou vários mísseis balísticos de curto alcance depois que Trump sugeriu que poderia se reunir ainda neste ano com o líder norte-coreano, Kim Jong Un.
Seul e Pyongyang continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito coreano terminou em 1953 com um armistício, e não com um tratado de paz.