O Estado-Maior do Exército norte-coreano indicou que havia manifestado formalmente a Washington que as ameaças americanas serão "esmagadas" utilizando "meios nucleares modernos, leves e diversos", segundo o comunicado. "A operação sem compaixão das forças armadas revolucionárias neste aspecto foi finalmente examinada e ratificada", reforçou a nota lida na imprensa estatal. "Ninguém pode dizer se uma guerra eclodirá na península hoje ou amanhã", destacou o informe do Exército.
A Coreia do Norte mantém o discurso de que, ao invés de fazer ameaças, ela que é provocada pelo "governo dos Estados Unidos e 'senhores da guerra' que desejam se infiltrar na soberania da República Democrática da Coreia e derrubar seu digno e lógico sistema social".
Em uma rápida reação, a Casa Branca exigiu que a Coreia do Norte pare de fazer ameaças. "O governo de Kim Jong-Un deve parar com suas provocações e se concentrar em respeitar suas obrigações internacionais", salientou a porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Caitlin Hayden. "Vimos hoje a declaração da Coreia do Norte, novamente fazendo ameaças inúteis e pouco construtivas", reforçou.
Hayden afirmou que esta "é uma nova mostra de uma longa lista de declarações provocadoras que só servem para isolar mais a Coreia do Norte do resto da comunidade internacional e comprometem seu objetivo de desenvolvimento econômico". Pouco antes do anúncio do Exército norte-coreano, divulgado nesta quarta-feira à tarde nos Estados Unidos, o Pentágono havia anunciado o deslocamento de uma bateria antimísseis THAAD para a ilha de Guam, de onde decolam os B-52 que sobrevoaram a Coreia do Sul.
Apesar do teste considerado um lançamento de míssil em dezembro, especialistas não acreditam que neste momento Pyongyang tenha capacidade para atacar diretamente o território americano. No entanto, Kim Jong-Un ameaçou atacar Guam e o Havaí e está em condições de atingir a Coreia do Sul e o Japão, onde estão posicionados dezenas de milhares de soldados americanos.
Nesta quarta, o governo sul-coreano havia informado sobre a decisão de Pyongyang de bloquear o acesso ao complexo industrial de Kaesong, levando Seul a não descartar uma ação militar para proteger seus cidadãos. Situado em território norte-coreano a 10 quilômetros da fronteira, foi aberto em 2004. Ele simboliza a cooperação entre as duas Coreias e constitui uma fonte essencial de renda para o Norte, um país comunista que manteve praticamente intactas suas estruturas políticas e econômicas da época da Guerra Fria.
O local, onde trabalham 53 mil norte-coreanos, sempre se manteve aberto, apesar das diversas crises na península, com exceção de apenas um dia, em 2009. "O Norte nos notificou esta manhã que só estavam autorizadas as viagens de volta de Kaesong e ficava proibida a entrada no complexo", indicou o porta-voz do Ministério sul-coreano da Unificação, encarregado das relações entre os dois países separados desde a guerra da Coreia, de 1950 a 1953.