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Coreia do Norte teria testado míssil no dia que divulga morte de ditador

Lançamento foi anunciado por agência de notícias sul-coreana

Norte-coreanos choram a morte de Kim Jong-Il
Norte-coreanos choram a morte de Kim Jong-Il Foto : KCNA / AFP / CP
A Coreia do Norte teria realizado nesta segunda-feira um teste de lançamento de um míssil de curto alcance a partir do litoral oriental, no mesmo dia em que foi anunciada a morte de seu líder, Kim Jong-Il. A notícia é da agência de notícias sul-coreana Yonhap, citando uma fonte não identificada do governo. De acordo com essas informações, o teste não estaria relacionado à morte de Kim Jong-Il.

A fonte sul-coreana declarou que “este lançamento foi acompanhado de perto por nossas autoridades militares". O ministério da Defesa da Coreia do Sul não confirmou a informação.

O governo de Seul entrou em estado de alerta, aumentou a vigilância na fronteira e pediu aos Estados Unidos, que mantêm 28,5 mil soldados em seu território, que reforcem a observação com satélites e aviões.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-Bak, pediu a seus cidadãos que mantenham a calma após o impacto provocado pelo anúncio da morte de Kim Jong-Il. Lee conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e eles concordaram em reforçar a cooperação em termos de segurança. O Conselho de Segurança Nacional sul-coreano também foi convocado para uma reunião de emergência.

Coreia do Sul e Coreia do Norte continuam tecnicamente em guerra desde o conflito entre os dois países que durou três anos e acabou com um armistício em 1953. A tensão entre elas aumentou desde que o país comunista bombardeou um navio de guerra sul-coreano em março de 2010, provocando a morte de 46 militares. Pyongyang negou envolvimento no episódio, mas em novembro de 2010 bombardeou uma ilha do Sul e matou outras quatro pessoas.

“A era Kim Jong-Un já começou”

A morte de Kim Jong-Il abre um período de incertezas, mas analistas internacionais descartam a possibilidade de maiores turbulências para o regime, O governo prepara há dois anos a entronização de seu filho mais novo, Kim Jong-Un, confirmada oficialmente nesta segunda-feira. A morte do "Querido Líder" coloca Kim Jong-Un, que tem menos de 30 anos, à frente da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), a única dinastia comunista do mundo.

Em um país em que o hermetismo raramente falha e que detém armas nucleares, muitas questões são levantadas. Mas a sucessão não deve conduzir a uma "crise imediata na política interna e política externa", afirmou Paik Hak-Soon, do Sejong Institute, consultoria com sede em Seul.

A imprensa oficial já proclamou o novo líder. A agência de notícias KCNA pediu que "todos os membros do Partido (dos trabalhadores), os militares e o povo (...) respeitem a autoridade do camarada Kim Jong-Un". As declarações mostram que "Jong-Un já está firme no controle e que todos os funcionários que dependiam de Kim Jong-Il decidiram nas últimas 48 horas dar apoio a Jong-Un como o novo líder", disse Hak-Soon. Gestores norte-coreanos acrescentam: "já organizamos tudo e o sistema parece estável. A era Kim Jong-Un já começou".

Em relação à política externa, o regime não tem interesse em remodelar sua conduta, já que novos diálogos diretos entre Pyongyang e Washington sugerem um possível relaxamento, após anos de tensões, sobre o programa nuclear da Coréia do Norte.  Sábado, no dia morte, a imprensa sul-coreana informou que a Coréia do Norte concordou em suspender seu programa de enriquecimento de urânio para fins militares, um pré-requisito fixado pelos Estados Unidos para retomar negociações sobre o desarmamento e a ajuda alimentar.
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