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Coreia do Sul e Estados Unidos realizam exercícios com armas reais

Washington entregou a Seul primeiros componentes de escudo antimísseis

Participaram 30 helicópteros, 90 tanques e veículos blindados, 30 caças e cerca de 2 mil militares
Participaram 30 helicópteros, 90 tanques e veículos blindados, 30 caças e cerca de 2 mil militares Foto : Jung Yeon-Je / AFP / CP
Forças da Coreia do Sul e dos Estados Unidos promoveram nesta quarta-feira uma de suas maiores manobras conjuntas com armas reais já efetuadas, um dia após a realização, por parte da Coreia do Norte, de um grande exercício de artilharia. Os trabalhos desta quarta-feira, desenvolvidos no condado de Pocheon, incluíram manobras previamente programadas que fazem parte das simulações conjuntas que Seul e Washington fazem em cada ano no território sul-coreano.

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Participaram 30 helicópteros, 90 tanques e veículos blindados, 30 caças e cerca de 2 mil militares, que simulam uma resposta rápida a um ataque norte-coreano sobre postos de guarda da Coreia do Sul. Também foram implantadas várias unidades de lança-foguetes múltiplos M270 dos Estados Unidos, um temido lançador motorizado e blindado que disparou diversos mísseis durante estes jogos de guerra.

O exercício, que EUA e Coreia do Sul não realizavam desde 2015, acontece apenas um dia depois que o regime da Coreia do Norte comemorou o 85º aniversário de seu exército. A imprensa norte-coreana menciona nesta quarta-feira os "mais importantes exercícios de artilharia", supervisionados por Kim Jong-Un, que aparece em diversas fotos, sorridente, diante do espetáculo.

Washington entrega a Seul primeiros componentes do escudo antimísseis

As forças americanas entregaram nesta quarta-feira a Coreia do Sul os primeiros elementos do escudo antimísseis THAAD, destinado a enfrentar a crescente ameaça da Coreia do Norte, mas que provoca críticas da China. Washington e Seul anunciaram a instalação do escudo em 7 de março, alegando que permitirá lutar contra a ameaça dos mísseis balísticos norte-coreanos que o regime de Pyongyang persiste em desenvolver, apesar das sanções internacionais.

Diante da inflexibilidade do dirigente norte-coreano Kim Jong-Un, o governo americano apresenta agora a política algo imprevisível do novo presidente Donald Trump, que afirma estar disposto a resolver sozinho, se necessário, o problema da Coreia do Norte. Neste contexto, Washington decidiu enviar para a região o porta-aviões Carl Vinson e sua frota aeronaval, que devem chegar à península coreana até o fim de semana.

Ao mesmo tempo, canais de televisão sul-coreanos exibiram imagens da chegada de caminhões militares com elementos do THAAD (Terminal High Altitude Area Defense) ao campo de golfe em que será instalado, 250 quilômetros ao sul de Seul. Centenas de moradores da região, preocupados com as consequências ambientais do sistema, protestaram e entraram em confronto com as forças de segurança.

Represálias econômicas

O escudo antimísseis foi projetado para interceptar e destruir os mísseis balísticos norte-coreanos de curto e médio alcance durante a fase final de voo. Estados Unidos e Coreia do Sul decidiram instalar o escudo THAAD após as negociações de março entre o presidente interino sul-coreano Hwang Kyo-ahn e o vice-presidente americano Mike Pence.

O ministério sul-coreano da Defesa informou nesta quarta-feira que espera aplicar a fase operacional do THAAD "o mais rápido possível", com o objetivo de ter a instalação completa até o fim do ano. A China se opõe abertamente à instalação do escudo porque considera que representa um fator de instabilidade regional e uma ameaça para suas próprias capacidades balísticas.

Pequim reagiu de modo muito negativo ao anúncio da instalação do escudo e determinou uma série de medidas que Seul considera represálias econômicas. Uma das medidas foi a proibição, a partir de 15 de março, das viagens de grupos de turistas chineses a Coreia do Sul, o que afeta a indústria local. A tensão aumentou na península coreana nos últimos meses e o governo de Trump deu respostas belicosas aos testes de mísseis balísticos norte-coreanos.

Trump e vários funcionários do governo americano afirmaram que todas as opções, incluindo as militares, estão "sobre a mesa". O presidente americano declarou na segunda-feira que o Conselho de Segurança da ONU deveria "estar preparado" para impor novas sanções a Pyongyang. Mas a Coreia do Norte não demonstra a intenção de recuar.