de acordo com a MetSul.
Há precedentes históricos de cinzas de erupções no Chile alcançando o Centro da Argentina e o Rio Grande do Sul, mas, na maioria dos casos, as erupções ocorriam no Centro e não no Sul chileno. A erupção atual, contudo, é muito significativa. A MetSul Meteorologia descarta, porém, totalmente o risco das cinzas alcançarem o território gaúcho ainda neste domingo, já que a coluna de partículas está com deslocamento para Leste em direção a mar aberto,
acompanhando o sentido do vento em altos níveis da atmosfera.
Correntes indicam possível chegada de cinzas de vulcão chileno ao RS | Imagem: MetSul
“Sequer há alerta imediato para Buenos Aires, logo qualquer risco nas próximas horas é nulo”, diz o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall. “Não haverá cinzas caindo no Estado nem os voos no Sul do Brasil serão afetados nas próximas horas”, tranquiliza o especialista. De acordo com o meteorologista, o cenário pode mudar durante os próximos dias, com correntes de Sul e Sudoeste, que poderiam trazer a nuvem de cinzas em direção ao Estado, mas sem causar os mesmos transtornos registrados na Patagônia.
Se a erupção se mantiver com forte intensidade durante as próximas 48 horas, o tráfego aéreo já afetado na Patagônia pode ter transtornos também no Centro da Argentina, inclusive nas rotas de Ezeiza no decorrer da semana. Imagens de satélite mostram que a coluna de cinzas se estende por cerca de 2 mil quilômetros em direção ao Atlântico Sul.
Imagens de satélite mostram que ocorrência não se dará nas próximas horas | Imagem: MetSul
O transporte das cinzas a locais distantes como o Sul do Brasil depende de correntes de vento em elevada altitude, a cerca de 10 quilômetros de altura, chamadas de correntes de jato, e da continuidade da forte atividade vulcânica. Modelos por computador indicam que nos próximos 10 dias as correntes de vento poderiam deslocar as cinzas para Norte e Nordeste em direção ao Uruguai e o Rio Grande do Sul, mas é difícil estimar, dizem os meteorologistas, já que os cálculos não envolvem apenas a atmosfera, mas também a quase imprevisível atividade do vulcão.
Em 1993, cinzas de uma enorme erupção do vulcão Láscar foram transportas pelas correntes de vento a partir do Chile e se precipitaram em Porto Alegre no interior gaúcho, até acumulando. Já em 2008, pequena quantidade de partículas da nuvem do também chileno vulcão Chaitén chegou ao Estado, mas não houve queda de cinzas e o céu apenas ficou com luminosidade um pouco reduzida na região de Bagé.