Farès Souaid, dirigente da oposição que é liderada por Saad Hariri, ex-primeiro-ministro e filho de Rafic, confirmou que um grupo de especialistas do Tribunal Especial para o Líbano (TSL) entregou ao procurador Said Mirza a ata de acusação no caso. As informações são do portal R7.
Segundo a agência de notícias France Presse, a ONU enviou quatro mandados de prisão. O jornal israelense Haaretz detalhou que, entre os acusados, estaria um veterano de operações especiais do partido xiita Hezbollah e um líder do mesmo grupo. O jornal El País informa que Saad Hariri descreveu a chegada do processo como um "momento histórico", após "muitos anos de paciência e luta".
Investigação da morte de Hariri põe Líbano em tensão
O caso Hariri divide o Líbano e provoca temores de novas explosões de violência. O TSL, instaurado em 2007, é a origem da crise que provocou, em janeiro, a queda do governo de união de Saad Hariri, após a renúncia dos ministros ligados ao Hezbollah.
Isso porque o movimento islamita armado, que hoje tem a maioria no governo, é apontado nas investigações de participar do assassinato do ex-premier. O partido tentou, em vão, pressionar Hariri (filho) para que seu governo desautorizasse o tribunal.
A possibilidade de um julgamento do Hezbollah na ONU provoca o temor de violências religiosas, como os sangrentos confrontos entre xiitas e sunitas islâmicos em 2008. O governo de Najib Mikati (ligado ao partido xiita) deve anunciar ainda nesta quinta-feira o programa de política geral, que inclui a posição do Líbano a respeito do TSL.
Relembre a crise no Líbano
Em 12 de janeiro, o Hezbollah derrubou o governo de Hariri, apoiado pela Arábia Saudita, depois de uma longa disputa sobre o tribunal com missão de investigar o assassinado, em 2005, do ex-primeiro-ministro Rafiq Hariri, pai de Saad. O partido, considerado uma organização terrorista por Washington, tem pressionado Hariri a desqualificar o tribunal, que deve apontar o envolvimento membros do Hezbollah no crime.
Hariri descartou participar de um governo presidido por um primeiro-ministro apontado pelo Hezbollah, afirmando não haver um candidato consensual. A vitória, porém, do candidato apoiado pelo Hezbollah, Najib Mikati, despertou o temor da comunidade internacional, sobretudo de Israel, de que o Irã possa ganhar mais influência no Líbano.