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Costa leste dos EUA contabiliza estragos "inimagináveis" causados por Sandy

Tempestade enfraqueceu após causar 48 mortes e R$ 20 bilhões de prejuízo

EUA contabilizam estragos sem precedentes após passagem de Sandy
EUA contabilizam estragos sem precedentes após passagem de Sandy Foto : Spencer Platt/AFP/CP
O maior impacto da tempestade Sandy passou pelos Estados Unidos deixando um rastro de destruição em Nova Jersey e Nova Iorque. Pelo menos 48 pessoas morreram e mais de 8 milhões ficaram sem luz nesta terça-feira no nordeste dos Estados Unidos, foram os prejuízos com alagamentos e queda de árvores, muros e postes. A  supertormenta provocou perdas consideradas "inimagináveis", que ainda serão avaliadas pelo governo. Nova Iorque sofreu alguns dos maiores danos, com 18 mortos confirmados. Outras 67 pessoas morreram no Caribe e uma no Canadá, totalizando 116 vítimas.

Os prejuízos podem chegar a R$ 20 bilhões. A estimativa é da consultoria IHS Global Insight, que avalia que pelo menos US$ 10 bilhões são referentes a danos para os negócios provocados pela paralisação da economia em uma região que vai da Carolina do Norte ao Maine.


Embora o fenômeno tenha se enfraquecido nas últimas horas, Sandy ainda representa perigo, alertou o diretor do Centro Nacional de Furacões (NHC, pela sigla em inglês), Rick Knabb. "Eu não quero que ninguém pense que essa tempestade está perto de acabar", afirmou, enquanto o fenômeno meteorológico se move pelo oeste da Pensilvânia, em direção ao Canadá. Ao colidir com frentes de ar frio, Sandy provocou nevascas nas montanhas da Virgínia Ocidental. O NHC e os meteorologistas preveem possíveis enchentes na região dos Grandes Lagos. Fortes ventos também são previstos para os Montes Apalaches até a madrugada de quarta-feira. Knabb alertou que os rios na Pensilvânia e em Nova Jersey ainda poderão transbordar.

Perdas "inimagináveis"

Com 2,5 milhões de pessoas às escuras, Nova Jersey, o estado costeiro onde Sandy tocou a terra na noite de segunda-feira, é o mais afetado pela falta de energia. Danos ao longo da costa são "inimagináveis", conforme Christie, que apoia Mitt Romney, mas que não deixou de elogiar a resposta "fantástica" de Barack Obama ao desastre. No condado de Bergen, a poucos quilômetros da cidade de Nova Iorque, uma barragem rompeu durante a noite, ameaçando centenas de pessoas e mobilizando os serviços de emergência. Em 11 estados, mais de 7,4 mil homens da Guarda Nacional foram mobilizados nesta terça-feira para enfrentar as consequências de Sandy.

A supertempestade mantém o seu percurso, mas enfraquecida. Às 17h, cruzou a Pensilvânia com ventos de 70 km/h, contra os 150 km/h de ontem. Mas seus efeitos continuam a ser sentidos: os serviços meteorológicos em Washington lançaram um alerta de inundações, devido ao transbordamento do Rio Potomac e quase um metro de neve é esperado nas montanhas de West Virginia. As escolas, serviços públicos e a maioria das lojas ainda estavam fechados nesta terça-feira na região e o transporte público continua com o serviço interrompido. Em Washington, eles devem retomar gradualmente na tarde desta terça-feira, segundo a operadora WMATA.

Quase todos os aeroportos do nordeste foram fechados e cerca de 6 mil voos foram cancelados nesta terça-feira.
Pelo segundo dia consecutivo, Wall Street também permaneceu fechada, mas vai retomar a sua atividade na quarta-feira.

Influência política

Nos estados de Nova Iorque e Nova Jersey, onde a supertempestade já se configura como uma das tempestades mais devastadoras já registradas, o presidente Barack Obama declarou nesta madrugada estado de "grande catástrofe", permitindo o acionamento de programas de assistência às vítimas. "Na quarta-feira à tarde, o presidente vai viajar para Nova Jersey, onde se reunirá com o governador Chris Christie para inspecionar os estragos causados pela tempestade, conversar com moradores e cumprimentar os membros dos serviços de emergência que arriscaram suas vidas", indicou o porta-voz da Presidência, Jay Carney.

Seu rival Mitt Romney, que teve o papel limitado ao de um espectador, viu Obama assumir o controle do governo federal com força ao emitir alertas e enviar socorro às vítimas atingidas por Sandy. Nesta terça, o republicano garantiu que não adiará os seus compromissos de quarta-feira no estado da Flórida em busca do posto na Casa Branca.

A situação que gera mais transtornos aos americanos ocorre na rede elétrica. A exemplo do Brasil, nos Estados Unidos a maioria das linhas de energia está sobre o solo, o que as deixa sob a ameaça de queda de árvores ou galhos durante fortes chuvas e tempestades com raios. A metade sul de Manhattan mergulhou na escuridão durante a noite. Apenas alguns edifícios equipados com geradores foram capazes de manter a eletricidade. O sul da ilha é também a parte da cidade mais afetada pelas enchentes.

O transporte coletivo também sofreu grande baque. Em Battery Park, no extremo sul, onde o nível do mar chegou a subir mais de quatro metros na maré alta, a água recuou. Alguns galhos de árvores estavam espalhados pelas ruas e cabos de eletricidade deitados nas calçadas. Paralisada há 24 horas, a cidade recupera dificilmente o ritmo de vida com a reabertura de três pontes que ligam Manhattan ao Brooklyn, mas o transporte público permanece suspenso. Muitos túneis do metrô foram inundados, a água do mar engoliu os corredores, às vezes excedendo a altura das plataformas.

"O metrô de Nova York tem 108 anos, mas ele nunca tinha enfrentado uma catástrofe tão devastadora como a que vimos na noite passada", disse Joseph Lhota, presidente da MTA, a companhia que administra os transportes de Nova Iorque. Nos estados de Nova Iorque e de Nova Jersey, Sandy submeteu a uma dura prova o setor nuclear americano, obrigando as autoridades a desligar três reatores e a colocar em alerta uma antiga central. "Tudo parece estar sob controle neste momento. Nenhuma estrutura da central foi danificada", afirmou à AFP Neil Sheehan, porta-voz do órgão de segurança nuclear americano (NRC).

Com informações da Agência Estado.



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