Mundo

Crianças da mina chilena vivem entre brincadeiras e ansiedade

Parentes dos mineiros deixaram escolas e amigos para viver em acampamento no deserto

Crianças da mina chilena vivem entre brincadeiras e ansiedade
Crianças da mina chilena vivem entre brincadeiras e ansiedade Foto : Juan Mabromata / AFP / CP
As crianças do acampamento Esperanza aguardam com aparente despreocupação o resgate dos 33 mineiros presos desde o dia 5 de agosto na mina San José, no Chile. Elas correm, jogam futebol e se divertem como podem. "Eles não falam muito, mas se expressam brincando ou desenhando", explica Margarita Guzmán, a professora que cuida da escola improvisada perto da mina desde o final de setembro. "No outro dia, construíram uma mina linda com uma perfuradora com Leggo. E explicaram: aqui estão os mineiros, aqui eles vão sair. Dessa maneira, expressam sua preocupação com o que está acontecendo".

"Quando disseram que estavam todos vivos, comecei a chorar, mas achei que iam sair logo", confessa Javier Galleguillos, de 10 anos, um dos quatro netos de Mario Gómez, de 63 anos, o mais velho e capataz da mina. "Sonho que meu avó e os outros mineiros estão fora da mina", conta seu irmão mais velho, Nicolás.

Durante toda a espera, o otimismo marcou as cerca de 30 crianças que deixaram suas escolas e seus amigos para viver num acampamento no meio do deserto. "Sempre pensaram no resgate como algo positivo. Nunca pensaram que poderia haver uma falha", comenta Raúl Valencia, professor de educação física.

Dois dias depois que uma sonda achou os mineiros com vida em 22 de agosto, Valencia, que se encontrava desempregado, deixou sua casa e viajou 700 km para se ocupar das crianças. Em 27 de setembro, o ministro da Educação, Joaquín Lavín, inaugurou uma escola pré-fabricada no acampamento. "Teria sido muito melhor se fizesse algo mais discreto, não todo esse circo e esse aproveitamento político", lamentou-se, por sua vez, a professora Margarita Guzmán, que também se ocupa do ensino.


Bookmark and Share