"Quando disseram que estavam todos vivos, comecei a chorar, mas achei que iam sair logo", confessa Javier Galleguillos, de 10 anos, um dos quatro netos de Mario Gómez, de 63 anos, o mais velho e capataz da mina. "Sonho que meu avó e os outros mineiros estão fora da mina", conta seu irmão mais velho, Nicolás.
Durante toda a espera, o otimismo marcou as cerca de 30 crianças que deixaram suas escolas e seus amigos para viver num acampamento no meio do deserto. "Sempre pensaram no resgate como algo positivo. Nunca pensaram que poderia haver uma falha", comenta Raúl Valencia, professor de educação física.
Dois dias depois que uma sonda achou os mineiros com vida em 22 de agosto, Valencia, que se encontrava desempregado, deixou sua casa e viajou 700 km para se ocupar das crianças. Em 27 de setembro, o ministro da Educação, Joaquín Lavín, inaugurou uma escola pré-fabricada no acampamento. "Teria sido muito melhor se fizesse algo mais discreto, não todo esse circo e esse aproveitamento político", lamentou-se, por sua vez, a professora Margarita Guzmán, que também se ocupa do ensino.