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Crianças sírias têm segunda-feira sangrenta

Após 22 meses de conflito, mulheres têm fugido do país em razão de casos de estupro

Bombardeios têm castigado população da Síria
Bombardeios têm castigado população da Síria Foto : AFP / CP
A segunda-feira foi particularmente sangrenta para as crianças sírias, com 26 mortes em bombardeios nas cidades de Damasco e Aleppo, enquanto o regime e os rebeldes se acusavam mutuamente pelas vítimas. A tragédia coincide com a iniciativa de mais de 50 países, que devem exigir que o Conselho de Segurança da ONU acione o Tribunal Penal Internacional (TPI) pelos crimes cometidos durante os 22 meses de conflito no país.

Enquanto o combate entra em seu 23º mês, com um registro de mais de 60 mil mortes, os meios de comunicação sírios lideram o ataque contra o emissário internacional Lakhdar Brahimi, um “turista idoso” que, segundo eles, deveria deixar os sírios “tranquilos” se não tem solução a oferecer. As autoridades lançaram uma campanha para denegrir a imagem do diplomata argelino de 79 anos, depois de sua crítica contra o plano para acabar com crise proposto por Assad em 6 de janeiro e que rejeita sua saída do poder.

Decidido a esmagar a rebelião, chamada de “terrorista” por parte do regime, o Exército realiza novos ataques e operações nesta segunda, especialmente nas proximidades de Damasco, onde se concentram os combates. De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que conta com uma ampla rede de ativistas e médicos em toda a Síria, oito crianças, com idade entre nove meses a 14 anos, e cinco mulheres foram mortas em bombardeios da aviação em Mouadamiyat al-Sham, Sudoeste da cidade de Damasco.

Em um vídeo postado na internet por ativistas é possível ver as fachadas dos edifícios completamente destruídas, além de corpos ensanguentados e cobertos por poeira. Mas a imprensa oficial acusa os rebeldes pelos disparos de foguetes contra casas em Mouadamiyat al-Sham.

Outras quatro crianças, sendo duas da mesma família, com idade entre 6 e 7 anos, foram mortas em um bombardeio em uma cidade militar perto de Damasco e seis outras crianças morreram em Aleppo, de acordo com o OSDH. No total, 54 pessoas morreram nesta segunda-feira, segundo um balanço provisório da organização.

Mais de 3,5 mil crianças morreram desde março de 2011

O OSDH registrou mais de 3,5 mil crianças mortas desde o início de uma onda contestação popular que se militarizou contra a repressão por parte do regime, em março de 2011. Domingo, 16 crianças morreram, de acordo com a ONG.

Contra a escalada da violência, a Suíça enviou nesta segunda-feira ao Conselho de Segurança uma petição assinada por 52 países, incluindo países europeus, exigindo o encaminhamento para o TPI. A Síria não aderiu à criação do TPI, o que requer a intervenção do Conselho de Segurança para que o tribunal interfira.

Depois de acusar a Força Aérea de utilizar bombas de fragmentação, a organização Human Rights Watch indicou que as tropas terrestres também usaram essas armas proibidas pelas convenções internacionais, que Damasco não ratificou.

O estupro, principal razão do exílio das mulheres

Para as mulheres, um perigo a mais nesta guerra civil: o estupro se tornou a principal razão de exílio, segundo a organização Internacional Rescue Commitee. “Muitas mulheres e meninas relataram ataques contra elas, geralmente praticados por homens armados. Esses estupros, por vezes coletivos, ocorrem geralmente sob os olhares de membros da família”, relatou a ONG.

As vítimas que sobrevivem a esses ataques, raramente falam sobre os crimes em razão “das normas sociais e desonra que representa o estupro pelas (vítimas) e sua família”, segundo ela. O conflito provocou a fuga de milhares de sírios. Mais de 600 mil foram registrados pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

A Liga Árabe enviará uma missão no Iraque, Jordânia e no Líbano para avaliar as necessidades deste país antes da realização da cúpula de doadores no final de janeiro no Kuwait. Em um outro país fronteiriço, a Turquia, um morteiro disparado da Síria caiu sem deixar vítimas, segundo as televisões locais, no momento em que a Otan anunciou que os mísseis Patriot estarão operacionais no início de fevereiro, ou até antes.

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