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Cristina demite presidente do BC e põe aliada no cargo

Redrado tornou-se inimigo do governo por não liberar reservas do BC para pagar dívida pública

A presidente argentina, Cristina Kirchner, decretou na quarta-feira a demissão do presidente do Banco Central, Martín Redrado, e nomeou a economista Mercedes Marcó del Pont, uma leal aliada, para o cargo. Durante entrevista coletiva, Cristina criticou Redrado, que havia se tornado inimigo do governo por rejeitar a liberação de US$ 6,5 bilhões das reservas do BC para pagar parte da dívida pública que vence neste ano. "Ele poderia ter tido espírito de colaboração", avaliou Cristina, que foi criticada pela oposição por interferir na autonomia do BC.

A remoção oficial de Redrado não passou de uma formalidade, já que o economista havia renunciado ao cargo na sexta-feira. Mas o governo não reconheceu a renúncia e optou por esperar a entrega, na terça-feira à noite, do parecer da comissão parlamentar que avaliava o caso de Redrado. Ele era acusado de "não cumprir seus deveres" (por ter recusado a ordem do governo de liberar as reservas do BC para pagamento da dívida). A comissão emitiu seu parecer, de forma secreta, e o remeteu à presidente. Dois parlamentares votaram a favor da remoção de Redrado, e um contra. Cristina havia demitido Redrado por decreto no início do mês passado - desatando uma crise institucional que a confrontou com o BC, a Justiça Federal e a oposição -, mas uma juíza federal anulou a medida.

Amiga

Mercedes Marcó del Pont era desde 2008 a presidente do maior banco estatal argentino, o Banco de La Nación. A economista, amiga pessoal de Cristina, costuma argumentar que "o Estado tem de intervir mais na economia". Cotada em diversas ocasiões para ocupar a pasta da Economia, Marcó del Pont vem sendo nos últimos anos uma constante consultora do casal Kirchner para assuntos econômicos. Ela é classificada como uma "kirchnerista roxa".

Horas antes, em uma cerimônia, Cristina defendeu o plano de usar parte das reservas do BC para o pagamento da dívida. Ela atacou os líderes da oposição, que criticam o uso das reservas, afirmando que eles "colocam obstáculos" a seu governo.

Banco Central

O BC da Argentina conta com autonomia teórica desde 1995. Mas ao longo destes 15 anos a liberdade do BC foi atacada várias vezes pelos governos de plantão. Só nesse período a entidade financeira teve sete presidentes, contando Redrado. Desde sua criação, em 1935, o BC teve um total de 54 presidentes, isto é, um a cada 16 meses. Redrado foi o segundo presidente do BC que mais tempo ficou no cargo - cinco anos e meio.

A Bolsa de Buenos Aires registrou uma queda de 0,7 ontem. A bolsa não é considerada um termômetro das turbulências político-financeiras da Argentina. Seu peso na economia é pequeno, pois diversas empresas grandes instaladas no país não são cotadas no pregão local. Para os analistas, os verdadeiros termômetros do ânimo dos argentinos são a cotação do dólar e a fuga de divisas.