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Criticado por Trump, Zelensky está sob pressão para aceitar acordo pelo fim da guerra na Ucrânia

Trump afirmou que presidente ucraniano não tem “nenhuma carta”, mas joga duro

Zelensky é alvo de duras críticas de Trump, que o chamou de "ditador não eleito"
Zelensky é alvo de duras críticas de Trump, que o chamou de "ditador não eleito" Foto : Petras Malukas / AFP / CP

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, duramente criticado por Donald Trump, está sob pressão nesta sexta-feira, 21, para cooperar com os Estados Unidos, sobretudo na questão da exploração de recursos minerais estratégicos para Washington. No início de fevereiro, o presidente americano anunciou que queria negociar um acordo com a Ucrânia para obter acesso a 50% de seus minerais estratégicos em troca da ajuda já fornecida a Kiev.

Zelensky rejeitou a primeira proposta dos EUA, argumentando que ela não oferecia garantias de segurança a seu país, que enfrenta a invasão russa há três anos. No entanto, o líder ucraniano abriu a porta para os "investimentos" americanos em troca de tais garantias. Desde então, as tensões entre Kiev e Washington aumentaram.

Nesta sexta, Trump afirmou que a Ucrânia não tem “nenhuma carta” em possíveis negociações para acabar com a guerra em seu país depois de ter sido invadida pela Rússia. "Tive conversas muito boas com (o presidente russo Vladimir) Putin, e não tão boas com a Ucrânia. Eles não têm nenhuma carta, mas jogam duro. Mas não vamos permitir que isso continue", disse Trump em uma reunião de governadores na Casa Branca.

Anteriormente, ele avaliou que a presença de seu colega ucraniano, Volodimir Zelensky, nas negociações "não é muito importante". "Ele está lá há três anos. Ele torna muito difícil fazer acordos", acrescentou. O presidente Trump lançou vários ataques contra Zelensky nesta semana. Sua aproximação com Putin levantou temores de um rompimento entre Washington e a Ucrânia, que depende da ajuda dos EUA para combater os russos.

Ele chamou Zelensky de "ditador não eleito" e, na quarta-feira, disse que os russos tomaram "muito território" na Ucrânia e, portanto, têm "as cartas" em suas mãos

No entanto, um alto funcionário ucraniano disse à AFP nesta sexta-feira que a Ucrânia e os EUA "continuam" negociando um acordo sobre os recursos minerais estratégicos ucranianos. "Há uma troca constante de documentos preliminares, enviamos outro ontem" e "estamos esperando uma resposta" dos EUA, disse o funcionário, que pediu anonimato. O assessor americano de Segurança Nacional, Mike Waltz, garantiu posteriormente que Zelensky firmará um acordo "em um prazo muito curto (...) e isso é bom para a Ucrânia".

O "corajoso" Zelensky

O enviado de Trump para a Ucrânia, Keith Kellogg, disse nesta sexta-feira que na véspera teve uma reunião "positiva" com o "corajoso" Zelensky, uma declaração muito diferente das duras críticas do presidente americano ao seu contraparte ucraniano nos últimos dias. Apesar das tensões, o chefe de Estado da Ucrânia afirmou que teve uma "reunião produtiva" com Kellogg sobre "a situação no campo de batalha" e a implementação de "garantias de segurança efetivas".

Após uma conversa por telefone com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, Zelensky declarou que continua dialogando com Washington. "É importante que os Estados Unidos estejam do nosso lado. Uma paz sólida e duradoura só pode ser alcançada com unidade", escreveu no X. Trump e Zelensky protagonizaram uma troca de insultos depois que autoridades de alto escalão dos EUA e da Rússia discutiram, na Arábia Saudita, sobre um possível acordo para encerrar a guerra.

Na quinta-feira, o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, justificou a reunião bilateral, afirmando que o objetivo era verificar se Moscou falava "sério". O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reiterou nesta sexta-feira que o presidente Vladimir Putin está "aberto" a negociações de paz. "Temos nossos objetivos relacionados à nossa segurança nacional e aos nossos interesses nacionais, e estamos prontos para alcançá-los por meio de negociações de paz", afirmou Peskov.

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Avanços russos no front

A Rússia exige que a Ucrânia ceda quatro regiões ucranianas que Moscou alega ter anexado, além da península da Crimeia, e renuncie à adesão à Otan, o que Kiev rejeita categoricamente. Trump e seus colaboradores consideram "pouco realista" a adesão da Ucrânia à Otan e sua ambição de recuperar os territórios tomados por Moscou.

Poucos dias antes do terceiro aniversário do início da invasão, em 24 de fevereiro de 2022, a situação continua difícil para as tropas ucranianas, em menor número e menos equipadas. Na sexta-feira, o exército russo reivindicou a tomada de duas localidades na região leste de Donetsk, perto da fronteira com a região de Dnipropetrovsk.

Neste contexto de guerra e diplomacia, a União Europeia e vários líderes europeus estão tentando se mobilizar para apoiar Kiev. O presidente francês, Emmanuel Macron, viajará para Washington na segunda-feira, onde se reunirá com Trump.

O líder francês disse nas redes sociais na quinta-feira que dirá ao seu contraparte americano que ele "não pode ser fraco" diante de Putin. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, visitará Washington na quinta-feira.