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Cuba descarta "obstáculo político" para abrir internet a cubanos

Governo diz que tem intenção de liberar acesso, mas falta infraestrutura e culpa os EUA

Cuba descartou nesta segunda-feira que exista um "obstáculo político" para abrir a internet aos cubanos. Na próxima terça-feira, chega à ilha, um cabo submarino de fibra ótica, com origem na Venezuela, que multiplicará por 3 mil a capacidade de conexão. Conforme o governo cubano, a questão a ser resolvida é de estrutura.

"Não há nenhum obstáculo político", disse o vice-ministro de Informática e Comunicações, Jorge Luis Perdomo, em uma entrevista coletiva de imprensa anterior à abertura da Convenção Internacional de Informática-2011, na qual participam cerca de 2 mil delegados de 35 países, entre eles China, Rússia e Canadá.

"Existe total vontade do governo de seguir desenvolvendo o setor das comunicações e há um plano paulatino de seguir aumentando os acessos à internet nas instituições, lares, e em todos os pontos onde seja necessário ter estes serviços", acrescentou Perdomo, sem dar prazos.

No entanto, informou que a chegada a Santiago de Cuba, no Sudeste da ilha, do cabo sumarino de 1,6 mil quilômetros não supõe a extensão imediata do acesso dos cubanos à rede, porque o país precisa de investimentos em infraestrutura e tecnologia. "Seguir desenvolvendo a infraestrutura de comunicações do país é tão importante quanto o próprio cabo", disse o vice-ministro.

Segundo Perdomo, está sendo criada uma lei de comunicações para "ordenar, regular e promover de forma ordenada" à internet. "É um setor que emergiu com muita força nos últimos anos, seu desenvolvimento foi muito rápido, e nos demos conta de que, assim como outros países, também é necessário para Cuba", explicou.

Acesso à internet é restrito a poucos em Cuba

Em Cuba não existe serviço particular de internet, reservado a estrangeiros e a alguns profissionais, como médicos e jornalistas, além de centros acadêmicos, o que as autoridades da ilha chamam de "uso social" da rede. Os cubanos podem se conectar à internet em cibercafés estatais, mas o serviço custa 1,8 dólar por hora, e em hotéis são vendidos cartões de navegação livre a 7 dólares a hora, valor inacessível para muitos em um país onde o salário médio é de 20 dólares mensais.

As autoridades alegam que o embargo dos Estados Unidos impede Cuba de utilizar os cabos de fibra ótica que passam perto de sua costa e por isso o país precisa recorrer à cara conexão por satélite. Washington e a oposição acusam o governo comunista de censura e controle da informação. 

O blog Generación Y, da filóloga cubana Yoani Sánchez, que costuma fazer duras crítcas ao regime Castrista, tem acesso bloqueado na ilha. Ela já foi agraciada com prêmios internacionais de jornalismo, mas sempre foi impedida pelo governo de receber as láureas, fora do país. Sánchez recebe apoio de diversos amigos pelo mundo para manter o blog.  

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