Mundo

Cuba e EUA discutem “ataques acústicos” em Washington

Ao menos 21 diplomatas americanos foram afetados por supostos ataques em Havana

Ao menos 21 diplomatas americanos foram afetados por supostos ataques em Havana
Ao menos 21 diplomatas americanos foram afetados por supostos ataques em Havana Foto : Yamil Lage / AFP / CP
O ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, manteve nesta terça-feira um encontro em Washington com o secretário americano de Estado, Rex Tillerson, em um momento em que a relação bilateral se vê afetada por denúncias sobre supostos “taques acústicos”. O encontro foi realizado a portas fechadas na sede do Departamento de Estado.

Embora as partes tenham apontado que esta primeira reunião tenha sido organizada a pedido da delegação cubana, Washington havia adiantado que tinha “muitas perguntas a fazer”, conforme a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

O governo americano afirma que pelo menos 21 funcionários de sua embaixada em Havana foram vítimas de “ataques acústicos” nos últimos meses, ao ponto do Departamento de Estado decidir que estava estudando o fechamento temporário da sede diplomática.

Alguns efeitos verificados nos funcionários da embaixada foram mencionados “ligeiras lesões cerebrais”, perda de audição e do equilíbrio, fortes dores de cabeça, problemas cognitivos e edemas cerebrais. O Canadá afirmou que pelo menos cinco funcionários de sua embaixada em Havana também sofreram sintomas similares.

Na sexta-feira passada, ao falar na Assembleia Geral da ONU, Rodríguez negou terminantemente qualquer responsabilidade do governo cubano nos incidentes. “Cuba jamais realizou ou realizará ações desta natureza, não permitiu nem permitirá que seu território seja usado por terceiros com esse propósito”, declarou.

Formalmente, Washington não responsabilizou as autoridades cubanas pelo ocorrido. No entanto, em agosto expulsou discretamente dois diplomatas cubanos, alegando que Havana era responsável pela segurança da equipe estrangeira em seu território.

Rodríguez disse à ONU que as investigações em curso “até o momento não contam com evidência alguma que confirme as causas nem a origem do que afetou a saúde e foi reportado pelos diplomatas americanos e suas famílias”.

Essas investigações, apontou o diplomata, levam “em consideração dados fornecidos pelas autoridades dos Estados Unidos”. Ele acrescentou que para que as análises cheguem a algum resultado “será essencial a cooperação” das autoridades americanas.