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Cyril Ramaphosa assume presidência da África do Sul

Sob acusações de corrupção, Jacob Zuma renunciou ao cargo na quarta-feira

Cyril Ramaphosa assume presidência da África do Sul
Cyril Ramaphosa assume presidência da África do Sul Foto : Mike Htuchings / POOL / AFP / CP
O ex-sindicalista e empresário Cyril Ramaphosa assumiu oficialmente nesta quinta-feira a presidência da África do Sul após a renúncia de Jacob Zuma, afetado por escândalos de corrupção e rejeitado por seu próprio partido. Único candidato na disputa, o líder do Congresso Nacional Africano (CNA) foi eleito chefe de Estado pelo Parlamento, sem surpresa e sem a necessidade de uma votação formal. "Declaro o honorável Cyril Ramaphosa oficialmente eleito presidente da República da África do Sul", declarou o presidente do Tribunal Constitucional, Mogoeng Mogoeng.

Logo após ser empossado, o novo chefe de Estado se comprometeu a lutar contra a corrupção. "Os problemas de corrupção, ligados à necessidade de recuperar as empresas públicas (...), fazem parte de nossas prioridades, são os problemas que iremos atacar", declarou diante dos deputados. "Vou trabalhar duro para tentar não decepcionar o povo sul-africano", prometeu. Depois de uma longa batalha contra Ramaphosa, Jacob Zuma finalmente se rendeu na quarta-feira à noite, sob a ameaça iminente de uma moção de desconfiança por parte de seu partido. "Devo aceitar que meu partido e meus compatriotas querem que eu vá embora", disse Zuma, apesar "de não concordar com a decisão da liderança da minha organização".

Desde que assumiu o CNA em dezembro, Ramaphosa tem tentado fazer Zuma deixar o poder de forma ordenada, convencido de que sua permanência levaria a sigla para uma esmagadora derrota nas eleições gerais de 2019. Enfrentou a recusa do chefe de Estado, cujo mandato expiraria no próximo ano, até que o CNA finalmente decidiu ordenar sua saída na terça-feira.

"Não concordo"

"Não concordo, porque não há provas de que fiz qualquer coisa errada", defendeu-se, com amargor. Sua capitulação foi saudada com alívio quase unânime em uma África do Sul esgotada por um fim de reinado marcado por instabilidade política, corrupção generalizada e dificuldades econômicas persistentes. "Este é o fim de um período em que a mais alta função do país foi desviada para o saque generalizado dos cofres do país", afirmou a Fundação Nelson Mandela. Esta manhã, os mercados reagiam positivamente à partida de Jacob Zuma. A Bolsa de Joanesburgo subia 2,7%, e a moeda nacional, o rand, atingia seu nível mais alto em relação ao dólar em três anos (11,65 R por US$ 1). A eleição de Cyril Ramaphosa "marca o fim de um período de incerteza política e econômica que pesou fortemente sobre o crescimento da África do Sul", apontou o economista Raymond Parsons, da Northwest University.

A oposição também aplaudiu o anúncio da saída de Zuma. "Toda a nação tem sido vítima há mais de dez anos de um delinquente e de um impostor (...) Ele vai para a lixeira da História", declarou Julius Malema, líder dos Combatentes para a Liberdade Econômica (EFF, esquerda radical).

"Verdadeira renovação"

"Nós não temos um problema com Jacob Zuma, temos um problema com o CNA", acrescentou o chefe da Aliança Democrática (AD), Mmusi Maimane, pedindo novamente a dissolução do Parlamento e eleições antecipadas "para uma verdadeira renovação" do país. O AD e o EFF infligiram um grave revés ao CNA nas eleições locais de 2016 e esperam privá-lo, no próximo ano, da maioria absoluta que mantém desde 1994. Nas últimas semanas, Ramaphosa prometeu virar rapidamente a "página Zuma", assegurando a quem quiser ouvir que a África do Sul entrou em uma "nova era". Sua estrada será longa e difícil. "Ele tem a enorme tarefa de nos fazer esquecer o balanço de seu antecessor e colocar a África do Sul de volta ao caminho da unidade e da renovação", resumiu a fundação criada pelo ex-presidente Frederik de Klerk. "O czar caiu, o caminho está livre, Ramaphosa!", completou a instituição.

Como símbolo da mudança prometida, a polícia realizou uma busca na quarta-feira na casa luxuosa da família Gupta, no centro da maioria dos escândalos envolvendo o ex-presidente Zuma. As oito pessoas presas durante a operação compareceram nesta quinta-feira diante de um tribunal em Bloomfontein (ou Mangaung), no centro do país.