Ao chegar a Londres nesta quarta-feira, provenientes de Trípoli, estrangeiros que conseguiram fugir do caos no país da África do Norte descreveram cenas violentas de guerra na capital líbia. "Nunca tive tanto medo em toda a minha vida como ontem à noite (terça-feira). Não sabia se tremia de frio ou pavor", contou a professora que trabalhava na Líbia Jane Macefield.
Natural do Zimbábue e casada com um britânico, Jane, de 52 anos, disse à AFP ter ouvido "pelo menos 20 explosões" de bombas ou de granadas e "o ruído de turbinas de aviões". Ela faz parte do grupo de professores de uma escola internacional de Trípoli que conseguiu embarcar na capital líbia num voo da companhia Afriqiyah Airways com destino a Londres.
Segundo uma porta-voz do aeroporto de Gatwick, 40 pessoas estavam a bordo do voo que chegou nesta quarta-feira à Grã-Bretanha. A situação em Trípoli estava relativamente calma durante o dia, mas os tiros explodiam quando chegava a noite, conta um empregado britânico do setor de petróleo, vindo no mesmo voo. "Ouvi muitos tiros durante a noite, mas, ontem havia alguma coisa, mais potente."
Em Trípoli, "há centenas de pessoas feridas que precisam de ajuda", contou uma líbia, preferindo não ter o nome divulgado. "Se puderem, salvem o país", afirmou.
O professor Phil Sperinck, 51 anos, vindo de Dartford, sudeste da Inglaterra, disse ter ouvido "muitos tiros" perto de Saraj, uma cidade que fica a cerca de uma hora de Trípoli. No aeroporto de Trípoli, a situação é "assustadora", afirma Phil. "Há milhares de pessoas sentadas do lado de fora", essencialmente africanos, que esperam poder deixar o país.
Até agora, 540 britânicos estão bloqueados na Líbia, segundo o ministro William Hague.
De volta a Londres, estrangeiros narram cenas de guerra na Líbia
Em Trípoli, há centenas de pessoas feridas que precisam de ajuda, contou uma líbia