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Delcy aceita vender petróleo aos EUA, mas enfatiza “mancha” com captura de Maduro

Presidente interina da Venezuela autorizou petrolífera nacional a negociar com norte-americanos

Delcy Rodriguez assume como presidente da Venezuela, diante do filho de Maduro, deputado Nicolas Maduro Guerra, e do presidente do congresso venezuelano, Jorge Rodriguez, em Caracas
Delcy Rodriguez assume como presidente da Venezuela, diante do filho de Maduro, deputado Nicolas Maduro Guerra, e do presidente do congresso venezuelano, Jorge Rodriguez, em Caracas Foto : MARCELO GARCIA / PALÁCIO DE MIRAFLORES / AFP / CP

A presidente interina Delcy Rodríguez disse nesta quarta-feira (7) que a relação entre Venezuela e Estados Unidos ganhou “uma mancha” após o ataque e a captura de Nicolás Maduro, mas concordou em negociar com Washington a venda de petróleo.

O ataque do último dia 3 deixou 100 mortos e feriu Maduro e sua mulher, Cilia Flores, afirmou hoje o ministro venezuelano do Interior, Diosdado Cabello. Já o governo de Donald Trump afirmou que pretende controlar "indefinidamente” as vendas de óleo bruto venezuelano, e que as decisões de Caracas serão “ditadas” por Washington.

Para reafirmar sua hegemonia, os Estados Unidos anunciaram a apreensão de dois petroleiros, um vazio e com bandeira russa, segundo Moscou, e 'apátrida', segundo Washington, no Atlântico Norte, e outro carregado de petróleo sancionado, no Caribe.

Delcy Rodríguez assumiu o cargo na véspera e vai precisar lidar com as pressões internas e dos Estados Unidos. Ela ressaltou, no entanto, que o comércio com os americanos "não é extraordinário nem irregular”, após a petroleira estatal PDVSA anunciar uma negociação para vender óleo bruto aos Estados Unidos.

Em Caracas, que retoma sua atividade, multiplicam-se as manifestações convocadas pelo regime para retomar a iniciativa, após a operação militar americana de sábado que resultou na captura do agora presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que estão presos em Nova York.

Milhares de pessoas saíram em passeata no bairro popular de Catia. 'Nico, aguente, o povo se levanta!', gritavam manifestantes. 'Estamos defendendo nossa soberania, nossa pátria. Desde pequenos nos diziam: o império, os gringos, e muita gente acreditou que isso era um conto de fadas', declarou Tania Rodríguez, aposentada de 57 anos.