Um clima de tensão domina as discussões que tentam encontrar uma solução para a crise política em Honduras, e representantes do presidente deposto Manuel Zelaya e do presidente de fato Roberto Micheletti ainda não chegaram a um consenso sobre a eventual restituição de Zelaya.
O presidente deposto rejeitou nesta sexta-feira a proposta do governo de fato, por considerá-la "inaceitável", informou o ministro do Interior do governo de Zelaya, Victor Meza, um dos negociadores. Um dos três delegados de Zelaya nas negociações disse que a proposta de entregar à Suprema Corte a decisão sobre a restituição do presidente deposto é "absolutamente inaceitável".
Meza espera que o governo de fato revise sua decisão, apesar do fim do prazo dado por Zelaya para a conclusão das negociações. Micheletti afirma que a restituição de Zelaya é um assunto legal, que só cabe à Suprema Corte de Justiça. Após o golpe de Estado, a Justiça determinou a prisão de Zelaya por 18 crimes, entre eles corrupção e abuso de poder.
A restituição de Zelaya é o eixo do Acordo de San José, proposto pelo presidente de Costa Rica, Oscar Arias, para solucionar a crise hondurenha. Além de estabelecer a volta do presidente deposto, o acordo prevê anistia política, a formação de um governo de união nacional e o compromisso de Zelaya de não convocar uma Assembleia Constituinte até o fim de seu mandato, que termina em 27 de janeiro de 2010.
Apenas nesta sexta-feira, o prazo para o encerramento de negociações foi prorrogado por duas vezes, sem que um acordo tenha sido desenhado.
Os representantes das duas partes se retiraram do hotel que serve de sede para as negociações para fazer consultas de última hora com Micheletti e Zelaya. Ambos saíram pelos fundos, para evitar os jornalistas na entrada principal. O hotel está fortemente protegido pela polícia. Em suas últimas declarações à imprensa, os delegados dos dois grupos disseram que o diálogo continua. Não foi informado se há um novo prazo oficial para o fim das conversas.
Zelaya foi deposto da Presidência de Honduras no último 28 de junho e retornou ao país no dia 21 de setembro, quando foi anunciado que ele se encontrava na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Zelaya foi acusado pelos golpistas de tentar levar adiante uma consulta popular para o estabelecimento de uma Constituinte, considerada ilegal pelos apoiadores da destituição de Zelaya.
Há a urgência de um acordo, pois as eleições presidenciais no país estão agendadas para 29 de novembro e correm o risco de não ser reconhecidas caso o governo de fato continue no poder.
Caso as eleições presidenciais não ocorram dentro da normalidade, Honduras corre o risco de cair em um limbo político e a pobreza no país pode crescer.
Delegado de Zelaya diz que proposta golpista é inaceitável
Prazo final de negociações foi prorrogado por duas vezes nesta sexta-feira