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Demissão de Jimmy Kimmel: Por que a mídia dos EUA cede à pressão de Trump?

CBS já tinha anunciado o fim do programa do humorista Stephen Colbert

Suspensão do programa de Jimmy Kimmel pela rede ABC é o exemplo mais recente de como grandes meios de comunicação americanos têm cedido à forte pressão
Suspensão do programa de Jimmy Kimmel pela rede ABC é o exemplo mais recente de como grandes meios de comunicação americanos têm cedido à forte pressão Foto : Patrick T. Fallon / AFP

A suspensão do programa de Jimmy Kimmel pela rede ABC é o exemplo mais recente de como grandes meios de comunicação americanos têm cedido à forte pressão do governo de Donald Trump. Essa postura, que prioriza interesses econômicos em detrimento da liberdade de expressão, reflete uma tendência preocupante na mídia do país.

Antes de Kimmel, a CBS anunciou o fim do programa do humorista Stephen Colbert, outro crítico de Trump. Colbert havia criticado um acordo de US$ 16 milhões entre a Paramount e Trump para encerrar uma ação judicial. A própria ABC pagou US$ 15 milhões em outro acordo semelhante com o ex-presidente. Esses casos mostram que, para evitar longas e custosas batalhas judiciais, as empresas optam por ceder financeiramente, o que muitos veem como uma forma de "suborno" para silenciar as críticas.

Interesses Financeiros

A pressão não vem apenas da via judicial. Brendan Carr, diretor do regulador de comunicações dos EUA (FCC), nomeado por Trump, criticou publicamente as declarações de Kimmel e ameaçou retirar a licença de transmissão da ABC. Para especialistas como Ken Paulson, diretor do centro de liberdade de expressão da Universidade Estadual do Middle Tennessee, o problema é que as empresas priorizam considerações financeiras acima dos interesses do público.

Embora a maioria dos especialistas concorde que as demandas de Trump seriam rejeitadas na justiça, as emissoras decidem que não é viável, do ponto de vista financeiro e de receita, defender seus programas.

O caso Colbert ocorreu enquanto a FCC avaliava a aquisição da Paramount. Dias depois da autorização, a agência obteve da empresa a promessa de "corrigir os vieses" que prejudicaram a confiança do público. Para Paulson, essa ação, vinda do governo, é um ato de "coerção" e não se compara a demissões motivadas por reações do público, como a de Tucker Carlson da Fox News ou Roseanne Barr da ABC.

Há um temor crescente de que a ofensiva de Trump contra a mídia, que ele considera de esquerda, se intensifique e se espalhe para outros canais, como a CNN, que poderia ser controlada por aliados do presidente. A preocupação é que a fragilidade da mídia diante da pressão financeira e governamental possa afetar ainda mais a democracia americana.