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Democratas conseguem que Senado americano analise medidas de controle de armas

Projeto de lei restringe acesso às armas dos suspeitos de terrorismo

Os democratas conquistaram uma pequena vitória na madrugada desta quinta-feira ao forçar o Senado americano a aceitar considerar um projeto de lei que restringiria o acesso às armas dos suspeitos de terrorismo.

A medida, que romperia uma paralisia de anos sobre o debate do controle de armas nos Estados Unidos, foi divulgada após as demandas por ação após o massacre de 49 pessoas em uma boate gay de Orlando, Flórida, no fim de semana.

Os senadores democratas ocuparam na quarta-feira o plenário do Senado, controlado pela oposição republicana, para iniciar um procedimento de obstrução, conhecido como 'filibuster', para pressionar os colegas a aceitar a discussão do projeto de lei.

A proposta deseja que pessoas em listas de vigilância ou listas com proibição de embarque em voos sejam proibidas de comprar armas de fogo. O "filibuster" foi liderado pelo senador Chris Murphy de Connecticut, onde um tiroteio em uma escola matou 20 crianças em 2012.

"Não aguento mais", disse Murphy, ao iniciar o procedimento na manhã de quarta-feira. "Vou permanecer neste salão até que exista algum sinal, algum sinal de que podemos nos unir", completou. Murphy, com o apoio de 40 senadores, incluindo o republicano Pat Toomey, passou horas discutindo medidas para reduzir a violência com armas de fogo.

Quando o relógio marcava 1h53min desta quinta-feira (2h53min de Brasília), ele anunciou sua vitória no Twitter. "Estou orgulhoso de anunciar que depois de mais de 14 horas neste plenário teremos uma votação para fechar a brecha do terror e a verificação universal de antecedentes", escreveu.

Os líderes republicanos e democratas do Senado chegaram a um acordo sobre "um mapa do caminho para conseguir os votos (...) sobre uma medida para assegurar que aqueles que estão em lista de vigilância terrorista não possam conseguir armas", assim como uma emenda que ampliaria os controles de antecedentes nas feiras de armas e na internet, informou Murphy.

O responsável pelo filibuster "chamou a atenção da nação", afirmou o senador democrata Cory Booker (Nova Jersey) nesta quinta-feira. "Quantos sonhos de nossos filhos devem ser destruídos pela violência armada antes que façamos coisas de senso comum, que acordemos para começar a reduzir estes números?, questionou. "Quando alguém ataca um americano, ataca a todos nós", completou.

Republicanos começam a reconsiderar

Uma iniciativa do Senado que teria impedido que suspeitos de terrorismo fichados pelo FBI comprassem armas de fogo e explosivos fracassou em dezembro, quando todos os senadores republicanos, com exceção de um, votaram contra.

Alguns republicanos parecem que estão reconsiderando agora, incluindo o representante Bob Dold, que está envolvido em uma dura batalha pela reeleição em Illinois. "Os pensamentos e orações não são suficientes", disse Dold na terça-feira no plenário da Câmara de Representantes.
"É tempo de agir", afirmou. 

O republicano Toomey, cujo projeto para ampliar a venda de certificados de antecedentes fracassou em 2013 e depois em 2015, trabalhou com os democratas para tentar romper a paralisia.

Na quarta-feira, a senadora democrata Dianne Feinstein (Califórnia) apresentou uma moção que daria ao procurador-geral dos Estados Unidos a faculdade de bloquear a venda de armas e explosivos a suspeitos de terrorismo.

Um relatório do governo americano mostra que os terroristas conhecidos ou os suspeitos de terrorismo superaram os controles de antecedentes para a compra de armas mais de 90% das vezes desde 2004.

Os republicanos geralmente são contrários a leis que negariam armas a pessoas nestas listas, alegando que estas infringiriam as garantias que a Segunda Emenda da Constituição concede aos americanos, incluindo aqueles que foram adicionados injustamente às listas.

Várias pesquisas mostram, no entanto, que a grande maioria dos americanos apoia as limitações.