A deposição de cinzas vulcânicas em algumas regiões da Islândia pode comprometer a segurança da água potável, alertaram autoridades sanitárias nesta sexta-feira, destacando que as criações de animais correm o maior risco.
"É importante prevenir a queda de cinzas nos estoques de água, por razões de saúde tanto das pessoas quanto dos animais e para a produção segura de leite", declarou Halldor Runolfsson, funcionário da Autoridade Islandesa de Veterinária e Alimentação.
Seu colega, Guthjon Gunnarsson, disse que a agência está avaliando a qualidade da água potável, cuja maior parte estaria protegida por se encontrar em depósitos subterrâneos.
"Aqui na Islândia a água (potável) é, na maior parte, subterrânea, portanto é difícil que as cinzas a contaminem pesadamente", declarou.
No entanto, Runolfsson disse que a erupção - que encobriu grandes áreas com uma fina camada de cinzas vulcânicas - traz grande risco para os animais porque as cinzas contêm altos níveis de fluoreto.
"Os fazendeiros foram alertados para manter seus animais abrigados", afirmou. "Sabe-se que a ingestão de fluoreto pode causar problemas nos dentes e nos ossos, especialmente nos animais em crescimento. As cinzas também podem causar problemas nos sistemas respiratório e digestivo (destes animais)", acrescentou.
"A princípio nós estamos analisando a quantidade de fluoreto", disse Gunnarsson. A concentração desta substância perto do vulcão foi de 23 a 35 miligramas por quilograma de cinzas.
A segunda erupção vulcânica da Islândia em menos de um mês começou debaixo da geleira Eyjafjallajokull, no sul do país, por volta da 1h local de quarta-feira (22h de terça, horário de Brasília).
Desde então, o vulcão tem liberado continuamente uma pluma de cinzas de 6 quilômetros no céu, espalhando uma gigantesca nuvem sobre a Europa, que provocou a maior interrupção de tráfego aéreo no velho continente desde a Segunda Guerra Mundial.
Cinzas geradas pela erupção podem penetrar nos pulmões e provocar doenças
A Organização Mundial da Saúde alertou, esta sexta-feira, que um quarto das cinzas geradas pela erupção vulcânica na Islândia seria fina o suficiente para penetrar nos pulmões, tornando-as "mais perigosas" à saúde.
Embora nenhum risco sanitário imediato tenha sido detectado até agora, enquanto as cinzas ainda estão a grandes altitudes, a agência sanitária das Nações Unidas alertou as pessoas com problemas respiratórios a permanecerem abrigadas se as cinzas descerem para a baixa atmosfera.
"Os pequenos particulados, menores que 10 mícrons em tamanho, são mais perigosos porque são capazes de penetrar as partes mais profundas dos pulmões", explicou Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, em um comunicado.
"Análises das cinzas estão sendo feitas e até agora estima-se que cerca de 25% das partículas sejam menores a 10 mícrons em tamanho", acrescentou a agência.A OMS alertou que se as pessoas notarem "irritação na garganta e pulmões, coriza e coceira nos olhos, elas devem se abrigar e limitar suas atividades ao ar livre".
"Em caso de aumento da poluição no ar, precauções normais são recomendadas, por exemplo que pessoas com asma e (outros) problemas respiratórios evitem fazer exercícios vigorosos", concluiu.
Deposição de cinzas vulcânicas pode poluir água na Islândia
Queda das cinzas pode afetar água dos animais e a produção de leite no país