"Atiradores disparam contra tudo o que se movimenta, impedindo que os habitantes recuperem seis corpos que estão na rua desde sexta-feira. Também há feridos que não podemos socorrer", disse Abizad. "A situação humanitária é muito difícil. Não há água, não há comida, não há energia elétrica."
Desde segunda-feira passada as forças de segurança cercam a cidade. Na sexta-feira, pelo menos 32 pessoas foram mortas, quando as forças de segurança abriram fogo contra milhares de manifestantes procedentes de cidades vizinhas que pretendiam entregar alimentos aos moradores. Outras seis pessoas faleceram no sábado.
A cidade de Duma, 15 km ao norte de Damasco, também está cercada. Com o lema "A semana do fim do cerco", os "jovens da revolução síria 2011" prometeram novas manifestações esta semana: no domingo em Deraa, segunda-feira nos arredores de Damasco, terça-feira em Banias e Jeblah (noroeste), quarta-feira em Homs, Talbiseh (centro) e Tal Kalaj, na fronteira com o Líbano.
Na próxima quinta-feira, os manifestantes querem organizar "protestos noturnos" em todas as cidades. "A liberdade se aproxima inexoravelmente. Este povo que tem sacrificado seus jovens pela liberdade, a conseguirá em breve, em breve", afirma um texto divulgado na internet.
Vários grupos de defesa dos direitos humanos pediram neste domingo a libertação de uma importante figura da oposição, Hassan Ismail Abdel Azim, detido no sábado, apesar do fim do estado de emergência. Abdel Azim, de quase 80 anos, é o secretário-geral do Partido da União Árabe Socialista e porta-voz da Assembleia Nacional Democrático, movimentos da oposição de esquerda.
O Crescente Vermelho (a Cruz Vermelha nos países muçulmanos) enviou equipes para a fronteira síria no sábado. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) suspendeu um projeto de ajuda de cinco anos ao país, em consequência da atual situação.
Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, 66 pessoas morreram na sexta-feira, quase metade delas em Deraa, em manifestações em diversas cidades que defendiam a queda do regimeberço do movimento contra o regime de Bashar al-Assad. O "Comitê dos Mártires de 15 de março" informou que 582 pessoas morreram desde o início da revolta, mas o governo menciona apenas 148 falecidos, incluindo 78 militares e policiais.
Diante da violenta repressão, o governo dos Estados Unidos decidiu adotar sanções econômicas contra o irmão mais novo do presidente, Maher al-Assad, que tem cargo no Exército, e contra outras autoridades do regime. A União Europeia estuda decretar um embargo de armas e outras sanções, segundo fontes diplomáticas.
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