Pelo menos 60 pessoas morreram no desabamento de uma mina de ouro no sul do Sudão e várias continuam desaparecidas, informaram nesta quarta-feira (16) à AFP dois sobreviventes.
Os poços da mina de Al-Zaraa, perto da cidade de El-Nahud, em Kordofan Ocidental, começaram a desabar na terça-feira. Até o momento, 60 corpos foram recuperados. "Não sabemos quantos ainda estão lá dentro", disse à AFP um dos sobreviventes, Khair al-Sayyed Jabara.
As operações de resgate prosseguiram durante toda a noite com a ajuda de outros operários. Eles utilizaram as mesmas ferramentas rudimentares que empregam para extrair ouro. "Todo mundo está trabalhando muito duro para recuperar os corpos ou encontrar sobreviventes, mas é difícil", afirmou Sayyed Jabara. "Precisamos de máquinas pesadas para retirar as rochas e a terra."
Dificuldade no resgate
Al-Amin Suleiman, outro mineiro que trabalhava na terça-feira perto de Al-Zaraa, disse à AFP que "os poços ficam muito próximos uns dos outros; se um desaba, derruba todos os que estão ao lado". "Ainda há pessoas soterradas. Não acredito que estejam vivas", lamentou.
Desde o início, em abril de 2023, da guerra entre o Exército sudanês e as paramilitares Forças de Apoio Rápido (FAR), as minas de ouro financiam o esforço bélico das duas partes.
O conflito devastou a já frágil economia do Sudão e deixou grande parte do país sem trabalho, empurrando muitos para uma perigosa corrida do ouro.
A mineração artesanal e em pequena escala, executada em minas abandonadas ou em áreas não oficiais como Al-Zaraa, responde pela maior parte do ouro extraído.