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Deslocados retornam para casas destruídas no Líbano após anúncio de trégua

Guerra já teria causado mais de 2,2 mil mortes de libaneses

Deslocados retornam para casas destruídas no Líbano após anúncio de trégua
Deslocados retornam para casas destruídas no Líbano após anúncio de trégua Foto : Nidal Solh / AFP

Muitos moradores do sul do Líbano e dos subúrbios de Beirute retornavam nesta sexta-feira (17) para suas casas, devastadas pela guerra entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah, após a entrada em vigor de um cessar-fogo de 10 dias.

A trégua anunciada pelo presidente americano Donald Trump, que começou à meia-noite local nos dois países (18h de Brasília de quinta-feira), era uma das condições do Irã para prosseguir com as negociações com os Estados Unidos visando um acordo para acabar com a guerra no Oriente Médio.

O conflito começou quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro. O Líbano foi envolvido quando o grupo Hezbollah lançou foguetes contra o território israelense em 2 de março, uma frente de batalha que provocou mais de 2,2 mil mortes do lado libanês, segundo o Ministério da Saúde.

Na manhã de sexta-feira, um engarrafamento gigantesco era observado diante da ponte de Qasmiyeh, que liga a região de Tiro, no sul do Líbano, ao restante do país. A ponte sofreu danos na quinta-feira devido aos ataques israelenses, mas o Exército fez os reparos necessários para permitir o tráfego.

"Por sorte, estamos voltando para casa e saímos vitoriosos, apesar dos bombardeios", declarou Mohammad Abou Raya, de 35 anos. "Mesmo que não consigamos recuperar nossas casas, o importante é voltar para a nossa terra", acrescentou à AFP o pai de três filhos.

A população ignorou as advertências do Exército israelense, que pediu aos moradores que não retornassem para a zona ao sul do rio Litani e mantém a ocupação da área de fronteira.

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Dimensão dos danos

Nos subúrbios do sul de Beirute, que sofreram intensos bombardeios de Israel, os moradores retornam para verificar a dimensão dos danos. "Seguimos todos os dias para um lugar diferente, porque não encontramos vaga no abrigo", conta Insaf Ezzeddine, que retornou à capital com o marido e a filha.

"Nossa casa sofreu graves danos pelos bombardeios, mas, graças a Deus, anunciaram o cessar-fogo e espero que a guerra termine", acrescentou a mulher de 42 anos. Até a noite de quinta-feira, o Hezbollah reivindicou ataques contra o norte de Israel e contra o Exército israelense em território libanês.

E poucos minutos antes do início do cessar-fogo entrar em vigor, ataques israelenses mataram pelo menos 13 pessoas em Tiro, no sul do Líbano, informaram as autoridades locais à AFP.

O Exército libanês mencionou "uma série de violações do acordo" de trégua e também pediu às pessoas deslocadas pelos combates que não retornassem imediatamente ao sul do país. Segundo a ONU, um milhão de pessoas – ou seja, 20% da população do país – foram deslocadas pelo conflito.

Após anunciar o cessar-fogo, Trump afirmou que tenta organizar a primeira reunião na Casa Branca entre o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

O governante israelense declarou que o acordo de trégua é uma oportunidade de "paz histórica" com Beirute, ao mesmo tempo que reiterou a exigência de desarmamento do Hezbollah como condição prévia.

O movimento libanês afirmou nesta sexta-feira, em um comunicado, que seus "combatentes manterão o dedo no gatilho" em caso de violação do cessar-fogo por parte de Israel.