A Chefe da Igreja protestante alemã, a bispa Margot Kässmann, de 51 anos, anunciou nesta quarta-feira sua renúncia ao cargo. Considerada pela imprensa um misto de Madre Teresa e da atriz Demi Moore ou "estrela pop do protestantismo", ela foi detida. no último sábado, por conduzir em estado de embriaguês.
"Sábado passado cometi um grave erro", disse. "Meu coração me diz claramente que não posso permanecer em meu posto. Renuncio de imediato a todas as minhas responsabilidades eclesiásticas", declarou. "Lamento ter decepcionado tanta gente", acrescentou Kässmann, eleita em outubro de 2009 à frente da Igreja Evangélica luterana por um período de seis anos.
Detida em Hannover por não parar no sinal vermelho, Kässmann possuía uma taxa de álcool no sangue de 1,54 grama/litro, cinco vezes superior ao limite tolerado. Segundo o jornal popular Bild, um homem viajava com ela quando o veículo foi parado, mas a identidade dele não foi divulgada.
Em 2007, Margot Kässmann divorciou-se depois de 26 anos de casamento com um pastor, um membro importante da Igreja Luterana com quem teve quatro filhas. O assunto foi logo considerado um escândalo.
Na manhã desta quarta-feira, o Conselho da Igreja Protestante da Alemanha (EKD) concedeu apoio à presidente deixando a seu critério "a decisão sobre o caminho que deverá tomar". O incidente, que se produziu pouco depois de iniciado o período da Quaresma, virou destaque na imprensa alemã. Kässmann, agora, corre o risco de perder a carteira durante um ano e de pagar multa equivalente a um mês de salário.
Segundo o semanário Der Spigel, justamente por reconhecer suas "fraquezas" e "erros" a bispa de Hanover ganhou a simpatia dos fiéis, que veem nela uma mulher "modesta" e "próxima dos cidadãos". Em 2006, quando sofria de câncer de mama, Kässmann falou publicamente de seu combate à doença. Nesse mesmo ano foi eleita "mulher do ano" pelos leitores da revista de grande tiragem Funk Uhr.
Mulher enérgica, de cabelos cortados curtos, que usa sempre no pescoço um cordão com uma cruz, foi ao ser nomeada, em 1999, a bispa mais jovem da Alemanha e a primeira a ser motivo de polêmica com seu divórcio. A imprensa alemã a descreve como "mistura de Madre Teresa e de Demi Moore" que goza de aura particular entre os fiéis.
No final de janeiro, criticou cruamente a intervenção alemã no Afeganistão, o que lhe valeu inúmeras críticas da esfera política. Doutora em teologia, a bispa renunciante é autora de 30 livros.
Detida por conduzir em estado de embriaguês, chefe da Igreja protestante renuncia
Margot Kässmann corre o risco de perder a carteira durante um ano e pagar multa