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Diante de protestos, premiê turco diz que paciência "tem limites"

Recep Tayyip Erdogan convocou partidários em meio a manifestações de opositores

Partidários do premiê se reúnem em demonstração de apoio
Partidários do premiê se reúnem em demonstração de apoio Foto : Adem Altan / AFP / CP
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou neste domingo que a paciência de seu governo com as manifestações da oposição tem "limites". "Temos paciência e continuamos tendo paciência, mas nossa paciência tem limites", declarou Erdogan a milhares de partidários no aeroporto de Ancara. "Ninguém tem que ser pessimista. Ninguém tem que ficar preocupado. A Turquia, que já viveu no passado muitos acontecimentos, também vai superar isto", completou.

Os manifestantes turcos e o governo permanecem firmes em suas posições após dias de protestos contra Erdogan. Ele pediu aos partidários que respondam aos atos dos opositores nas eleições municipais de 2014. "Restam apenas sete meses para as eleições locais. Peço que respondam a estas pessoas com uma primeira lição pela via democrática, nas urnas", disse durante um discurso em Adana, no sul do país, diante de milhares de simpatizantes.


Partidários do premiê se reúnem em demonstração de apoio | Crédito: Adem Altan / AFP / CP

Um dia depois de uma nova jornada de mobilização, o chefe de governo voltou a endurecer o discurso e chamou os manifestantes de "terroristas" e "vândalos". "São suficientemente covardes para insultar o primeiro-ministro deste país", avaliou. "Somos o partido dos 76 milhões de habitantes da Turquia", completou.

Erdogan é criticado pelos manifestantes, que o consideram autoritário. Na sexta-feira, ele havia suavizado o tom adotado contra os manifestantes e disse que era contra a violência, o vandalismo e "as ações que ameacem os outros em nome da liberdade". Também declarou que receberia todos com "exigências democráticas".

Porém, no sábado, milhares de turcos voltaram a sair às ruas para protestar contra o governo de Erdogan, que pediu o fim das manifestações, inéditas desde que o premiê chegou ao poder há uma década. Protestos foram organizados em Istambul, Ancara, Adana e Izmir. Manifestantes passaram a noite nas ruas.

Com a mesma determinação, milhares de pessoas ocuparam a praça Taksim de Istambul e o famoso parque Gezi. O anúncio da destruição do parque foi o estopim para a mais grave crise política desde que o governo islamita conservador chegou ao poder em 2002. Muitos torcedores dos três grandes clubes de futebol rivais da cidade, Galatasaray, Besiktas e Fenerbahçe, se uniram à multidão.

Milhares de opositores ao premiê Recep Tayyip Erdogan protestam no país  | Crédito: David Ganoon / AFP / CP

Em Ancara, a polícia dispersou de maneira violenta, com gás lacrimogêneo, 5 mil manifestantes que estavam reunidos na praça de Kizilay, centro da cidade. Várias pessoas ficaram feridas.

Erdogan aproveitou o sábado para multiplicar as consultas em Istambul, com reuniões com os dirigentes do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) e depois com o presidente do Parlamento, Cemil Ciçek. O AKP decidiu organizar reuniões públicas no próximo fim de semana, em Ancara e Istambul, segundo a imprensa. A ideia é lançar oficialmente a campanha do partido para as eleições, mas também responder às manifestações.

Erdogan deve retornar neste domingo a Ancara, onde estão previstas manifestações de apoio ao premiê. O projeto de reforma da praça Taksim prevê a destruição do parque Gezi e a retira de suas 600 árvores. A violenta intervenção da polícia no dia 31 de maio para desalojar os manifestantes que ocupavam o parque provocou confrontos, que se transformaram depois em um amplo movimento de protestos contra o governo islamita conservador.

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