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Dinamarca é o primeiro país da Europa a reabrir escolas em meio à pandemia

Atividades estão condicionadas a uma série de protocolos de saúde e foram retomadas na metade dos municípios e em cerca de 35% das escolas de Copenhague

Primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen fala com os alunos enquanto participa da reabertura da Escola Lykkebo, em Valby
Primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen fala com os alunos enquanto participa da reabertura da Escola Lykkebo, em Valby Foto : Philip Davali / Ritzau Scanpix / AFP / CP

Crianças felizes e pais aliviados na porta de uma escola da Dinamarca. O país se tornou o primeiro de uma Europa afetada por semanas de confinamento a reabrir as salas de aula em meia à pandemia de Covid-19. No entanto, as atividades estão apenas sendo retomadas na metade dos municípios e em cerca de 35% das escolas de Copenhague, pois outros pediram mais tempo para se adaptarem aos protocolos de saúde ainda em vigor – todos devem reabrir até 20 de abril.

Sob um céu cinza e um vento forte, cerca de 220 alunos do primeiro ao terceiro anos chegaram ao Norrebro Park Skole, recebidos nesta manhã por seus professores, com pequenas bandeiras dinamarquesas de boas-vindas nas mãos, mas sem máscara. Seu uso não é recomendado no país nórdico. Os estudantes rapidamente se instalaram nas salas de aula reorganizadas, projetadas para cumprir com as estritas novas diretrizes sanitárias.

Seus companheiros do quarto, quinto e sexto anos (um nível ainda fundamental no sistema escolar dinamarquês) começam amanhã. Para Caroline, mãe de dois filhos, este dia representa um verdadeiro alívio. "Eu me sinto bem, realmente bem", disse ela à AFP, depois de ter garantido, por um mês, que sua filha mais velha de 7 anos continuasse estudando em casa.

Vazios desde 12 de março, data em que o governo impôs restrições para conter a propagação do vírus, os bancos escolares dinamarquesas serão progressivamente ocupados. Creches, jardins de infância e escolas de ensino fundamental reabrem hoje, enquanto os estudantes de Ensino Médio (à exceção do primeiro e do último ano) terão de esperar até 10 de maio. Na terça-feira, a Dinamarca tinha 6.691 casos confirmados do novo coronavírus e 299 mortes.

Medidas de precaução

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, anunciou, em 6 de abril, a suspensão gradual das restrições em vigor para lutar contra o novo coronavírus. Bares, restaurantes, salões de beleza, estabelecimentos comerciais e boates permanecem fechados. Reuniões com mais de dez pessoas continuam proibidas. A reabertura das escolas foi anunciada pelo governo "com a condição de que cada um mantenha sua distância e lave as mãos".

Conforme determinação das autoridades, as instituições de ensino deverão garantir uma distância de dois metros entre as mesas dos alunos e organizar recreações em pequenos grupos. Para atender a esses requisitos, "usamos as salas normalmente usadas pelas turmas mais velhas, que atualmente seguem os cursos de casa", diz uma fonte da escola. Em cada sala do prédio, as crianças estão sentadas a dois metros de distância umas das outras, e os potes de álcool em gel ficam próximos para serem usados regularmente. 

 A reabertura das escolas também foi criticada por alguns preocupados pais de alunos. Um abaixo-assinado chamado "Meu filho não é um rato de laboratório" reuniu, até ontem, cerca de 18 mil assinaturas. "As crianças podem transmitir o vírus sem ficar doentes. Muitos pais devem manter os filhos em casa", afirma o texto.

Visita supresa da primeira-ministra

Frederiksen fez uma visita surpresa a Lykkebo Skole, em Valby, nos arredores de Copenhague, para assistir ao evento. "Estou muito impressionada", disse à emissora de TV2. "As crianças estão muito felizes em ver seus colegas de classe novamente". A primeira-ministra afirmou que entendeu que as precauções extras em torno da reabertura eram "um aborrecimento" para pais e filhos.

Mais tarde, ela escreveu sobre sua visita em sua página no Facebook. "Várias crianças descreveram o quão difícil era não poder dar um abraço em seus melhores amigos simplesmente por alegria em vê-los novamente", escreveu ela. "Isso é algo que eu posso entender".