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Direita pró-euro vence eleições na Grécia e propõe "união nacional"

Partido Nova Democracia quer renegociar pontos de acordo financeiro com a UE

Líder do partido, Antonis Samaras, pediu união das forças políticas
Líder do partido, Antonis Samaras, pediu união das forças políticas Foto : Panayiotis Tzamaros / AFP / CP
O partido de direita Nova Democracia venceu as eleições legislativas deste domingo na Grécia e propôs um "governo de união nacional" para sair da crise econômica e manter o país na zona do euro. O líder do partido, Antonis Samaras, pediu a "todas as forças políticas que se unam em torno do objetivo de manter o país no Euro". A Grécia "não pode perder mais um minuto", enfatizou.

O chefe da esquerda radical, Alexis Tsipras, admitiu a derrota e negou a participação do seu grupo no eventual governo de união nacional. "Telefonei a Samaras para lhe cumprimentar, ele pode formar um governo", disse Tsipras, cujo partido chegou na segunda posição neste domingo. "Vamos ficar na oposição e representar a maioria do povo contra o memorando" de rigor fiscal imposto por União Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI).

Já o líder dos socialistas do Pasok, Evangélos Vénizélos, condicionou a participação do seu partido a uma presença ampla da esquerda, incluindo os radicais de Tsipras. "Um governo de responsabilidade nacional supõe a participação de todas as forças da esquerda", incluindo os radicais do Syriza.

Segundo projeções do ministério do Interior, a Nova Democracia obteve 29,5% dos votos, o que lhe garante 128 das 300 cadeiras do Parlamento, contra 27,1% para a esquerda radical Syriza (72 cadeiras). Os socialistas do Pasok aparecem na terceira posição, com 12,3% dos votos (33 cadeiras).

A dirigente da direita Dora Bakoyannis foi a primeira a proclamar a vitória da Nova Democracia: "somos o primeiro e chegou a hora de formar um governo de união nacional para sair da crise". A Nova Democracia afirma ser o "fiador" da permanência da Grécia na zona do euro, mas quer "renegociar" o memorando do plano de ajuste acertado com União Europeia (UE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI). O memorando permitiu ao país obter um socorro financeiro para evitar a falência.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, reagiu aos resultados afirmando que seu país está disposto a discutir os prazos necessários para a aplicação das reformas na Grécia. "Não deve haver mudança substancial nos compromissos, mas posso imaginar, sem problemas, uma negociação sobre novos prazos", avaliou.

Para justificar esta flexibilidade, o ministro destacou que a Grécia viveu "uma paralisia política nas últimas semanas devido às eleições". "Os cidadãos comuns não podem ser punidos, especialmente porque já suportaram cortes drásticos. Estamos dispostos a assumir a solidariedade na Europa, mas não podemos aceitar a anulação dos compromissos assumidos".

Até o momento, Berlim se manteve inflexível sobre o programa de reformas negociado por Atenas em troca do socorro financeiro, tanto em relação ao conteúdo quanto aos prazos decretados. O ministro belga das Relações Exteriores, Didier Reynders, foi no mesmo sentido ao destacar que "existe a possibilidade de diálogo" sobre a revisão dos prazos, mas "não queremos dar um cheque em branco" à Grécia.


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