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Disputa sobre referendo contra Maduro leva opositores e chavistas às ruas

Encontros dos grupos foram pacíficos nas principais cidades do país

Disputa sobre referendo contra Maduro levou opositores e chavistas às ruas
Disputa sobre referendo contra Maduro levou opositores e chavistas às ruas Foto : Juan Barreto / AFP / CP
A oposição venezuelana e os apoiadores do governo fizeram novos protestos nesta quarta-feira nas principais cidades do país em mais uma demonstração do embate social por conta do referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro. Com bandeiras da Venezuela e cartazes, opositores e chavistas se encontraram pacificamente nas ruas, praças e parques próximos às 24 sedes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que amanheceram fechadas e fortemente protegidas pela polícia.

"Dissemos à cúpula corrupta e ineficiente que desgoverna: estão cercados por um país que quer mudança. Então, cedam, abram caminho, porque o que vem aqui é um referendo", disse o porta-voz da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, na Praça Brión, leste de Caracas, onde a multidão fez um "panelaço".

Em uma concentração em Barcelona, no estado de Anzoátegui, o líder chavista Elías Jaua insistiu em que não haverá referendo este ano. "Não haverá porque fizeram tarde, por suas contradições e divisões", declarou.

Em algumas cidades, os opositores não conseguiram chegar às sedes do CNE. Em Caracas, Lilian Tintori, mulher do dirigente preso Leopoldo López, aproximou-se da sede central com vários seguidores, enquanto governistas gritavam "Fora", ou "Vai para casa". "Temos de fazer algo, o voto e o protesto pacífico são as únicas armas que temos. O governo controla quase todos os poderes e não sabe o que mais inventar para evitar o referendo", disse

Rosmina Castillo, de 52 anos, em Los Teques, no estado de Miranda, governador pelo líder opositor Henrique Capriles. A menos de 100 metros, separados por apenas um quarteirão e divididos por uma grade metálica e filas de policiais, os chavistas vestidos de vermelho apoiaram o presidente. "O fascismo não voltará. Estamos em uma guerra econômica que nos deixa passando fome, mas estamos firmes com o legado do comandante Hugo Chávez (1999-2013)", afirmou Elías Pedraza, de 44.

"Estamos aqui defendendo a revolução do ataque da direita apátrida. Firmes com Maduro", declarou Alexander Rangel, um trabalhador da PDVSA, empresa estatal de petróleo, na cêntrica Praça Venezuela.

Desafio: manter a mobilização

Animada pela marcha multitudinária de 1º de setembro passado, em Caracas, a oposição também convocou um protestos para o próximo dia 14. Hoje, as manifestações foram mais modestas. Para o analista Diego Moya-Ocampos, do IHS Markit Country Risk, se as mobilizações não foram concorridas o suficiente, podem "desmoralizar a população".

"A oposição tem o desafio de manter as pessoas mobilizadas, sem deixá-las perder a esperança. A única forma de conseguir realizar o referendo é com pressão das ruas", garantiu o analista Asdrúbal Oliveros.

"Mas é difícil para a oposição manter o impulso das pessoas nas ruas", se o governo "nervoso" responder com mais agressões", opinou a consultoria privada Eurasia Group, com sede em Nova York.

A MUD considera o referendo uma "válvula de escape" para a insatisfação e a angústia dos venezuelanos com a escassez de quase 80% de alimentos e remédios, assim como pela maior inflação do mundo, que deve chegar 720% este ano, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).