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Ditador Reynaldo Bignone é condenado à prisão perpétua na Argentina

Outros cinco militares também receberam a pena durante julgamento que analisa ainda a Operação Condor

Ditador Reynaldo Bignone é condenado à prisão perpétua na Argentina
Ditador Reynaldo Bignone é condenado à prisão perpétua na Argentina Foto : AFP
O ex-ditador Reynaldo Bignone e outros quatro ex-militares argentinos foram condenados, nesta terça-feira, à prisão perpétua por crimes contra a Humanidade cometidos no Campo de Mayo. A confirmação foi realizada pelo Centro de Informação Judicial (CIJ) da Suprema Corte.

Um grande julgamento na Argentina analisa mais crimes cometidos nos anos 1970 e 1980 pelas ditaduras da América Latina, no chamado Plano Condor, de coordenação repressiva dos regimes do Cone Sul. O ex-ditador argentino Jorge Videla é o principal acusado. Outros 15 denunciados no caso do Plano Condor morreram antes do começo do julgamento.

O Plano Condor foi um processo de coordenação de ações repressivas das ditaduras de Chile, Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, que esteve em andamento entre meados das décadas de 1970 e 1980. Varsky informou que no caso estão mencionadas uma centena de vítimas de nacionalidade uruguaia, chilena, paraguaia e argentina. Há suspeitas de que o ex-presidente João Goulart, deposto pelo regime no Brasil, teria sido vítima de envenenamento em operação das ditaduras da América Latina.

Segundo Martín Almada, um militante dos direitos humanos, o Plano Condor foi apresentado pela primeira vez no fim de 1975 pelo FBI (Escritório Federal de Investigações dos Estados Unidos), que prestou sua colaboração para levá-lo adiante. "Entendemos que será um julgamento muito longo porque há muitas testemunhas e muita documentação para analisar", disse Varsky, ao lembrar que apenas no Paraguai foram encontradas cinco toneladas de papéis.

O acordo repressivo permitia que integrantes das forças armadas e de segurança dos regimes de fato contassem com informações sobre o movimento dos opositores e entrassem em qualquer dos países para detê-los clandestinamente com apoio local, segundo Varsky. Há dois casos que o CELS representa no caso que mostram o "modus operandi" e que tiveram a cumplicidade dos regimes de Brasil, Uruguai e Argentina.


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