"Era impossível negar-se a participar", afirma o capitão das SS, que executou com um tiro na nuca várias das 335 vítimas da matança ordenada em represália a um ataque da resistência em Roma contra um caminhão do Exército alemão. "O capitão Schutz, o encarregado de organizar a represália, nos disse: 'É uma ordem de Hitler. Quem não quiser participar, é melhor ficar com as vítimas, porque será fuzilado'", diz ele na gravação.
O vídeo-testamento foi divulgado no momento em que seu corpo é mantido desde quarta no aeroporto de Pratica di Mare, no sul da capital italiana, à espera de que seja encontrado um destino final para ele. Várias cidades se recusam a enterrá-lo.
O advogado do criminoso nazista, Paolo Giachino, conhecido na Itália por sua ligação com os movimentos de extrema-direita, aproveitou o momento para divulgar o vídeo gravado por Priebke antes de morrer. Na gravação, de quase quatro minutos, o ex-oficial das SS lembra que o massacre das Fossas Ardeatinas foi "terrível".
A matança foi em represália ao atentado organizado pela resistência comunista, segundo ele, com o objetivo de "provocar uma resposta dos alemães e conseguir assim uma revolta da população". A gravação termina com a frase que Priebke leu durante a audiência realizada em abril de 1996 diante do tribunal militar de Roma: "Sinto, do fundo de meu coração, a necessidade de expressar minhas condolências pela dor dos familiares das vítimas das Fossas Ardeatinas".
Segundo o advogado do ex-nazista, não é verdade que Priebke jamais tenha se arrependido dos fatos de que participou. "Priebke se reuniu de forma privada com familiares de alguns falecidos nas Fossas Ardeatinas", assegurou advogado.