As transcrições revelam uma conversa telefônica, às 15h42min - menos de quatro horas após cometer o suposto ataque sexual - na qual Strauss-Kahn indaga a um funcionário do setor de objetos perdidos do hotel sobre o paradeiro do telefone celular. Às 16h03min, ele telefonou novamente ao hotel e disse: "Quero falar com a pessoa que está trazendo meu celular. Quando vai chegar? Estou na sala da Air France, telefone para este número". Já às 16h40min, supostamente a bordo do avião, perguntou ao detetive da polícia que o interpelou: "Você está com o meu celular"? Logo em seguida, quando os policiais pediram que abandonasse o avião, questionou: "Para quê"? Cinco minutos depois, já na porta, o sargento Raymond DiLena disse a Strauss-Kahn: "A Polícia de Nova York precisa conversar com o senhor sobre um incidente em um hotel da cidade". Às 17h, o acusado estava na delegacia do aeroporto, onde foi orientado a esvaziar os bolsos e colocar os objetos sobre a mesa. Quando algemado, indagou: "É mesmo preciso"? - antes de afirmar que tinha imunidade diplomática. "Isto não está neste passaporte, tenho um segundo passaporte (...). Posso falar com alguém do consulado francês"?
A caminho de uma delegacia especializada em crimes sexuais, Strauss-Kahn disse que precisava dar um telefonema para avisar que não poderia participar de uma reunião no dia seguinte, e reclamou que as algemas estavam apertadas. A pena máxima para os sete crimes que pesam sobre Strauss-Khan, entre eles tentativa de estupro e cárcere privado, soma 74 anos e três meses de prisão, segundo a promotoria.