A Europa será vulnerável se não considerar o ebola e outros vírus como assuntos de segurança nacional, como acontece nos Estados Unidos, afirmou o microbiologista que descobriu o ebola. Em entrevista ao jornal britânico The Independent, Peter Piot defendeu "equipes bem treinadas" no Reino Unido e na Europa, com experiência em todo o mundo e preparadas para a mobilização. "Não contamos com isto, o que nos torna vulneráveis", disse o cientista belga, que dirige em a Faculdade de Londres de Higiene e Medicina Tropical.
Piot, que acaba de retornar de uma visita aos centros de tratamento de Serra Leoa, chamou de "força formidável" os Centros para o Controle de Doenças dos Estados Unidos. "Não temos este serviço de inteligência para epidemias e você não quer depender de informação procedente dos Estados Unidos. Isto é um assunto de segurança nacional", completou.
Apesar das críticas ao atraso na resposta local e internacional à epidemia na África Ocidental, Piot considera que agora os "esforços estão dando frutos". "Existe uma oportunidade para assegurar que esta é a última epidemia de ebola", afirmou o cientista belga, que foi um dos primeiros a identificar o vírus em 1976. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou na segunda-feira que mais de 7,5 mil pessoas morreram em consequência do vírus Ebola, a maioria na Guiné, Libéria e Serra Leoa.
"Ebola deve ser assunto de segurança nacional", afirma cientista
Pesquisador que descobriu vírus esteve em centros de tratamento em Serra Leoa