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Editorial do NYT fala em "despertar social" no Brasil

Protestos têm repercutido em vários países do mundo

Milhares foram às ruas no Rio e em outras cidades brasileiras
Milhares foram às ruas no Rio e em outras cidades brasileiras Foto : Tasso Marcelo / AFP / CP
Em um editorial nesta sexta-feira, com o título "O despertar social no Brasil", o jornal The New York Times (NYT) diz que a maioria silenciosa da população brasileira parece estar encontrando sua voz política. E, nesse cenário, a presidente Dilma Rousseff terá que endereçar novas demandas com substância e entendimento.

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As manifestações no Brasil novamente ilustram a capa do  jornal norte-americano, que vem dando amplo destaque aos protestos. O NYT diz que as enormes manifestações no País pegaram todo mundo de surpresa, mas talvez não devesse ser o caso. Apesar das enormes conquistas do País nas últimas décadas (economia mais forte, eleições democráticas, maior atenção e dinheiro aos pobres), ainda há uma distância enorme entre as promessas dos políticos de esquerda que governam o País e a realidade do dia a dia dos brasileiros.


Capa do portal do NYT dá destaque aos protestos no Brasil / Crédito: Reprodução / NYT / CP

O editorial cita um estudo do Banco Mundial que coloca o Brasil como a sétima maior economia do mundo. Ao mesmo tempo, o País fica entre os piores colocados na distribuição de renda e em rankings de educação. O jornal cita ainda que vários políticos brasileiros têm sido envolvidos em casos de corrupção e mau uso do dinheiro público.

Por isso, o NYT destaca que não é surpresa que o aumento das tarifas de ônibus tenha gerado uma insatisfação generalizada da população que paga cada vez mais impostos. Também não é surpresa a decepção das pessoas com os altos gastos para reformar ou construir estádios para a Copa do Mundo em um país carente de melhores educação e saúde.

O texto avalia que Dilma teve o mérito de não ir contra às manifestações, declarando que entende os anseios e a necessidade de mudança pedida pelas massas. Mas as demonstrações desta semana revelam uma revolta crescente da população com relação às prioridades de gastos do governo e má qualidade de serviços públicos que precisará ser avaliada por Dilma.

Repercussão na Europa

Na Europa, os principais jornais da Espanha, da França, da Itália e do Reino Unido estamparam na capa de suas edições impressas e online desta sexta os protestos no Brasil e os episódios de violência. As reportagens destacam que mais de 1 milhão de manifestantes foram às ruas, em várias cidades, registrando momentos de confrontos e violência com a polícia. Os textos mostram ainda que a presidente Dilma Rousseff cancelou a viagem ao Japão, marcada para os dias 26 a 28.

O jornal espanhol El País, que vem publicando com destaque os protestos dos últimos dias, trouxe como assunto principal as manifestações nas cidades brasileiras. A reportagem diz que “não bastou” a presidente ouvir as vozes das ruas e os protestos se intensificaram em todo País. Uma foto da manifestação em Recife ilustra a matéria.

El País tem destacado com frequência as manifestações nas cidades brasileiras / Crédito: Reprodução / El País / CP

No El País, há referências às manifestações no Rio, em São Paulo, Salvador, Ribeirão Preto, no interior paulista, e em Brasília. O texto destaca a morte de um manifestante, atropelado por um motorista irritado, no interior de São Paulo. Também menciona a invasão ao prédio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores e obra do arquiteto Oscar Niemeyer. A reportagem detalha as reivindicações e também as questões políticas envolvendo o tema.

O britânico The Guardian chama as manifestações de “protestos em erupção”. A reportagem diz que pedras foram atiradas pelos manifestantes e que os policiais reagiram com o uso de spray de pimenta e balas de borracha. O texto explica que os protestos começaram na semana passada devido ao aumento das tarifas de ônibus, mas agregaram outras reivindicações sociais.


The Guardian exibe fotos dos atos públicos no Brasil / Crédito: Reprodução / The Guardian / CP

O francês Le Monde menciona a “rendição à pressão popular” por parte de autoridades que anunciaram a suspensão dos aumentos das tarifas dos ônibus em algumas cidades. O texto destaca, entretanto, que a medida não foi suficiente para inibir os protestos.

A reportagem ressalta que os episódios ocorrem no momento em que o País sedia a Copa das Confederações, torneio de futebol que antecede a Copa do Mundo de 2014. O texto menciona ainda o envolvimento de sindicatos e o uso de redes sociais para reunir manifestantes para os protestos.

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