A taxação de 50% dos Estados Unidos a partir de 1° de agosto sobre as portações de produtos brasileiros veio depois de intensa articulação do deputado federal licenciado, Eduardo Bolsonaro (PL). O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) queria sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, mas foi o presidente dos EUA, Donald Trump, que decidiu sobre o tarifaço. Os bastidores foram revelados em reportagem do The New York Times.
Conforme o NY Times, Eduardo Bolsonaro tem focado em convencer autoridades americanas de que Moraes quer prendê-lo e a seu pai simplesmente por lutarem contra o que alegam ter sido uma "eleição fraudada".
E em várias visitas a Washington nos últimos meses, ele encontrou um público solidário. Eduardo Bolsonaro disse que vinha pressionando autoridades de alto escalão da Casa Branca a impor sanções ao juiz brasileiro que supervisiona o processo contra seu pai.
Então, na quarta-feira, Trump optou por algo muito mais prejudicial: uma tarifa de 50% sobre todas os produtos brasileiros, em retaliação ao que chamou de "caça às bruxas" contra Jair Bolsonaro.
A mudança de impor sanções a um único juiz para ameaçar uma nação inteira de mais de 200 milhões de habitantes com tarifas severas foi decisão exclusiva de Trump, de acordo com duas pessoas familiarizadas com a reunião em que o presidente discutiu sua decisão e que falaram sob condição de anonimato para discutir uma conversa privada.
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Tarifas como acerto de contas
A medida demonstrou a nova disposição de Trump em usar tarifas para acertar contas políticas, independentemente de questões de legalidade, devido ao seu poder absoluto de causar destruição econômica e impor intensa pressão política.
Eduardo Bolsonaro passou anos construindo sua aproximação com o mundo de Trump, aprendendo inglês e comparecendo a Washington antes do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 e em Mar-a-Lago na noite da eleição de 2024. Ele disse que jantou com Trump em Mar-a-Lago.
A decisão de Trump criou a maior crise diplomática entre os dois países mais populosos do Hemisfério Ocidental em mais de uma década, além de um grande desafio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, justamente quando ele começa a se posicionar como candidato nas eleições do próximo ano.