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Egito aguarda "saída honrosa" para Mubarak

Comentaristas falam em tomada do poder pelos militares

Mesmo com o pedido do governo para deixar as ruas, manifestantes continuam protestando
Mesmo com o pedido do governo para deixar as ruas, manifestantes continuam protestando Foto : Miguel Medina / AFP / CP
Após 11 dias de manifestações, dirigentes e também cidadãos egípcios desejam uma "saída honrosa" para o presidente Hosni Mubarak, apesar da exigência de uma partida imediata feita por adversários. A avaliação é de analistas políticos. Para Dia Rachwane, do centro de estudos Al-Ahram, existe uma saída constitucional para o presidente. "O artigo 139 estipula que pode delegar todos seus poderes ao vice-presidente e terminar o mandato à frente do Estado, mas sem governar". "Como em uma monarquia constitucional, seu papel se torna honorário", explicou à AFP, destacando que esta saída recebe grande apoio popular.

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Mubarak, que tem 82 anos e está há quase três décadas no poder, prometeu não se candidatar a um sexto mandato nas próximas eleições presidenciais de setembro. Para o comentarista da CNN, Fareed Zakaria, um golpe militar parace estar andamento no Egito. A WFOL-TV, afiliada da rede de TV NBC, informou que o governo dos Estados Unidos estava negociando com os militares egípcios a tomada do poder e preparando a instalação de um regime provisório sob o comando do recém nomeado vice-presidente Omar Sulaiman.

O primeiro-ministro do Egito, Ahmad Shafic, no entanto, defendeu a conclusão do mandato para que o presidente encontre uma saída honrosa, em uma declaração nesta sexta-feira ao canal americano de língua árabe Al-Hurra. "A maioria dos egípcios deseja um tratamento honroso e de respeito ao presidente que passou um longo período no poder, de uma maneira civilizada, conforme a natureza do povo egípcio", garantiu.

Mubarak vem aparecendo bem menos desde que nomeou o general Omar Suleiman como vice-presidente. Os principais anúncios políticos foram feitos nos últimos dias por Suleiman ou pelo primeiro-ministro Ahmad Shafic.

"O presidente tem um senso apurado de dever, ele está profundamente convencido de que se ele tiver que deixar o poder agora o país vai mergulhar no caos", considerou Elijah Zarwan do International Crisis Group. Zarwan considera, entretanto, que Mubarak não deseja sair do poder antes do fim de seu mandato por "temer perseguições judiciais e medo de perder tudo".


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