As autoridades egípcias impuseram um toque de recolher na região central do Cairo após os distúrbios. "Um toque de recolher a partir das 2h (de segunda-feira, 21h em Brasília) até as 7h está imposto para o setor de Maspero até a praça Abbassiya", diz um aviso transmitido pela televisão.
O primeiro-ministro egípcio Essam Sharaf fez um apelo aos muçulmanos e cristãos do país para que não cedam à luta sectária. "O que está acontecendo não são confrontos entre muçulmanos e cristãos, mas tentativas de provocar o caos e divergências", disse ele em sua página no Facebook.

Milhares de pessoas foram às ruas da capital egípcia para protestar | Foto: Owaise Mahmoud / AFP / CP
Confronto tem versões diferentes
Testemunhas disseram que alguns dos manifestantes podem ter roubado armas dos soldados e disparado contra os militares. Os manifestantes também lançaram pedras e garrafas contra os soldados. Os confrontos se espalharam para a praça Tahrir, que fica nas proximidades, e na área ao redor, provocando um enorme congestionamento na caótica cidade de 18 milhões de habitantes. Os manifestantes disseram que o protesto começou como uma tentativa pacífica de ocupar o prédio da televisão, mas foram atacados por grupos de homens à paisana que jogaram pedras e fizeram disparos contra eles.
“O protesto era pacífico. Nós queríamos realizar uma ocupação, como costumamos fazer”, disse Essam Khalili, um manifestante que usava uma camisa branca com uma cruz desenhada. “Os grupos nos atacaram e um veículo militar subiu na calçada e atropelou pelo menos 10 pessoas. Eu vi”.
Wael Roufail, outro manifestante, fez descrições semelhantes do ocorrido. “Eu vi o veículo ir atrás dos manifestantes. Então, eles abriram fogo contra nós”, disse. Khalili afirmou que os manifestantes atearam fogo a veículos do Exército quando os viram atingindo seus companheiros.
Imagens mostradas pela televisão mostram alguns manifestantes coptas atacando um soldado, enquanto um sacerdote tenta proteger o militar. Os cristãos dizem que o conselho militar do Egito tem sido muito leniente com aqueles que realizam ataques contra cristãos desde a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro.
A minoria cristã copta representa cerca de 10% da população do país, que tem mais de 80 milhões de habitantes. Enquanto o Egito passa por uma caótica transição no poder e um vácuo na segurança após o levante do início do ano, os cristãos ficam cada vez mais preocupados com a demonstração de poder dos islamitas ultraconservadores.
A manifestação deste domingo começou no distrito de Shubra, norte do Cairo, então os participantes se dirigiram para o prédio da televisão, na margem do Nilo, onde homens à paisana atacaram os cristãos. Armados com pedaços de pau, eles expulsaram os cristãos do local, batendo nas placas de metal das ruas para assustá-los. Não está claro quem eram os atacantes.
O barulho de tiros foi ouvido do lado de fora da emissora estatal de televisão, onde linhas de policiais com escudos tentavam impedir centenas de cristãos que gritavam Este é o nosso país. As forças de segurança lançaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.
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