Foram detidos na madrugada de hoje Murad Ali, porta-voz da entidade, no aeroporto do Cairo, quando se preparava para viajar para a Itália, e Safwat Hegazy, um religioso, capturado perto da fronteira com a Líbia, no Oeste do Egito. Ambos foram presos um dia depois da detenção do guia supremo.
No mês passado, a Justiça egípcia emitiu cerca de 300 mandados de detenção e proibições de viajar, sobretudo para integrantes da Irmandade Muçulmana. Vários integrantes da entidade foram detidos e simpatizantes identificados, após a sequência de manifestações e confrontos que causaram aproximadamente 750 mortos, em três dias.
As Forças Armadas destituíram Mursi do poder e instauraram um governo provisório sob o comando do presidente interino Adly Mansour. Porém, os protestos se tornaram diários no Egito, reunindo simpatizantes e críticos de Mursi. Os confrontos entre manifestantes e forças policiais se agravaram, acentuando a onda de violência no país.
Conversa com os EUA
O primeiro-ministro interino do Egito, Hazem Beblawi, disse que o governo dos Estados Unidos cometerá um erro se suspender a ajuda financeira anual, no valor de US$ 1,3 bilhão, destinada à área militar. Além do apoio para o setor militar, os Estados Unidos repassam US$ 250 milhões.
A possibilidade de suspensão dos repasses é avaliada pelas autoridades norte-americanas desde o agravamento da crise no Egito, com a morte de 750 pessoas em três dias de confrontos entre manifestantes e policiais.
“(A suspensão do repasse) seria um mau sinal e afetaria o Exército durante um determinado tempo", ressaltou Hazem Beblawi. “Não vamos esquecer que o Egito viveu (apenas) com o apoio militar da Rússia e sobreviveu. Não é o fim do mundo e podemos viver em circunstâncias diferentes", disse.
O Egito é um dos principais aliados dos Estados Unidos entre os países muçulmanos. Por enquanto, o governo norte-americano mantém o suporte financeiro ao Egito. Mas, nessa terça-feira, o presidente norte-americano, Barack Obama, reuniu-se com assessores para analisar especificamente a situação do Egito.
O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que Obama fará nova reunião com o Conselho de Segurança Nacional para avaliar o agravamento da situação no Egito.