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ElBaradei é colocado em prisão domiciliar no Egito

Ganhador do prêmio Nobel da Paz participou dos protestos de hoje no Cairo

Protestos contra o presidente egípciose estenderam por toda a capital Cairo
Protestos contra o presidente egípciose estenderam por toda a capital Cairo Foto : Khaled Desouki / AFP / CP
Integrantes das forças de segurança do Egito informaram que a polícia colocou o ganhador do prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, em prisão domiciliar. Veículos policiais pararam do lado de fora de sua casa, num subúrbio do Cairo, e oficiais disseram que ele não poderia deixar o local.

ElBaradei participou de um protesto com dezenas de milhares de pessoas na capital. O ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) voltou ao país na noite de ontem (horário local), após ter passado um mês fora do Egito. Ele declarou que está pronto para liderar os protestos pela mudança de regime no país. Os egípcios querem que o presidente Hosni Mubarak, que governa o país há quase 30 anos, deixe o poder. As informações são da Associated Press.

Bloqueio de telefones e internet

Nesta sexta, A Vodafone e a France Telecom, empresas que operam telefonia celular no Egito, informaram hoje que o governo do país ordenou a suspensão desses serviços. Segundo a britânica Vodafone, todas as companhias de telefonia móvel receberam instruções para interromper suas atividades em algumas áreas. O governo também tem impedido o acesso à internet.

Pela lei egípcia, as autoridades têm o direito de emitir esse tipo de ordem, e a Vodafone é obrigada a cumpri-la, informou a empresa em comunicado enviado à agência Dow Jones. De acordo com a companhia, o governo egípcio deve divulgar mais informações posteriormente. O porta-voz da empresa não quis comentar o assunto. A Vodafone é a maior operadora de telefonia celular do mundo e a maior companhia do setor no Egito em número de clientes e receita.

A France Telecom também informou que as autoridades egípcias tomaram medidas para bloquear os serviços de telefonia móvel. "As autoridades egípcias tomaram medidas técnicas que estão impedindo nossos clientes de usarem seus telefones celulares", afirmou o porta-voz da France Telecom.

A France Telecom é sócia, com a Orascom Telecom, da Egyptian Co. for Mobile Services, também conhecida como Mobinil, que tem 25 milhões de clientes no Egito. Até o momento, a empresa francesa disse não ter informações sobre quando o serviço pode voltar a funcionar. As informações são da Dow Jones.

Os quatro principais provedores de serviços da internet (ISPs) do Egito cortaram todo o acesso internacional a seus clientes em uma ação quase simultânea e sem precedentes. "Praticamente todos os endereços de internet no Egito também estão inacessíveis, mundialmente", afirmou James Cowie de Renesys, uma companhia de New Hampshire que monitora a transmissão de dados pela internet em tempo real.

"Em uma ação sem precedentes na história da internet, o governo egípcio parece ter dado a ordem aos provedores para apagar todas as conexões internacionais", explicou Cowie em um blog.

Polícia dispersa manifestantes

Os protestos contra o presidente egípcio, Hosni Mubarak, se estenderam por toda a capital Cairo nesta sexta-feira, dia tradicional de orações, quando milhares de pessoas saíram às ruas para pedir a queda do regime. A polícia tentou dispersar a multidão usando gases lacrimogêneos e jatos de água.

Os fieis oravam diante de uma grande mesquita do bairro de Guiza, e gritavam "Abaixo (o presidente) Hosni Mubarak!" imediatamente depois de terminada a prece. O quarto dia de protestos recebeu, além disso, o apoio da Irmandade Muçulmana, principal força da oposição.

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