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Eleição de Donald Trump estabelece cenário de incerteza

Analistas acreditam que efeitos do pleito norte-americano são desconhecidos

Eleição de Trump chocou o mundo
Eleição de Trump chocou o mundo Foto : Daniel Leal-Olivas / AFP / CP
A eleição de Donald Trump como novo presidente dos Estados Unidos nesta quarta-feira estabelece a partir de agora um cenário de incertezas no mundo. Na opinião da professora de Relações Internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker, e dos colunistas do Correio do Povo Jurandir Soares e Juremir Machado, Trump revelou pouco do que fará como chefe de Estado durante a campanha, o que representa preocupação para diversos países.

"A vitória de Donald Trump vai afetar o mundo, consequentemente o Brasil. Trump tem uma proposta de política econômica que pode gerar instabilidade nos mercados internacionais. Ele propõe maior protecionismo americano, com criação de sobretaxas, tentando renegociar acordos comerciais. Os Estados Unidos são importantes na nossa pauta de exportação e justamente no momento em que o Brasil precisa do comércio internacional nós poderemos enfrentar uma política mais restritiva. Os efeitos ainda são desconhecidos porque ele não disse muito o que vai fazer. É uma mudança que vai afetar a economia brasileira", disse Denilde em entrevista à Rádio Guaíba.

O colunista Juremir Machado afirmou que Donald Trump representa a maioria dos norte-americanos e aquilo que eles sonham ser. "Ele é a cara do americano médio. É rico, falastrão, homem branco, armado, dominante e o tipo de pessoa que fecha as portas para os que incomodam. Eu acho que é uma incógnita o que vai acontecer. Pode ser que a estratégia tenha sido exagerar o discurso para conquistar o eleitorado, mas é difícil acreditar que a construção de um muro na fronteira com o México era uma simples metáfora. Acho até que ele vai fazer muito mais. Se ele fizer, será horrível. Se não fizer, será uma espécie de estelionato eleitoral americano", explicou em entrevista ao Correio do Povo.

O comentarista Jurandir Soares recordou que a eleição norte-americana foi mais uma que contrariou a previsão. "É mais uma votação em nível internacional que foi contra o que se previa. Primeiro tivemos o Brexit, depois foi a votação do acordo com as Farc. O Trump teve até uma votação maciça no Senado, justamente onde se havia uma expectativa de uma retomada democrata", disse à Rádio Guaíba.

Brasil na agenda de Trump


A professora Denilde Holzhacker destacou ainda que o Brasil não entrou na agenda do novo presidente americano. "Ainda não podemos saber se a relação será próxima ou menos próxima. Ele vai precisar de aliados no mundo e há uma lógica de competição com outros países. Para nós, a situação é mais preocupante porque qualquer medida que faça desacelerar o crescimento da China vai nos afetar. É um cenário de instabilidade. Ele sempre olhou o Brasil como um potencial econômico e nós não somos tão desconhecidos dele. De qualquer forma, varios países não têm relação de proximidade com aquela que pode ser a cúpula de Trump. Esta é uma situação inusitada para todos", argumentou.

Obama e Trump


Juremir Machado defende a ideia de que Barack Obama e Donald Trump são carismáticos, mas com apelos diferentes. "Trump é um populista de direita, tem carisma. O Obama representava o politicamente correto, a racionalidade, uma política atualizada, tinha um carisma de outro tipo. O Trump tem o carisma do 'facistóide'. Talvez ele não consiga impor tudo aquilo que ele queria, tomara que as instituições consigam ser sólidas do que as opiniões dos eleitores", finalizou.