Eleições regionais na França enfrentam ameaça da extrema direita a um ano da presidencial

Eleições regionais na França enfrentam ameaça da extrema direita a um ano da presidencial

Pleito foi adiado por três meses por conta da situação da pandemia do coronavírus

AFP

Eleições regionais na França sob ameaça da extrema direita a um ano da presidencial

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Os franceses vão votar no próximo domingo (20) no primeiro turno das eleições regionais, consideradas um ensaio geral a menos de um ano da eleição presidencial e que podem levar a extrema direita ao poder em vários territórios.

As eleições foram adiadas por três meses devido à situação de saúde e a Covid-19 ofuscou em grande parte a campanha. Esta é uma eleição de dois turnos, que os franceses costumam ignorar. Em 2010 e 2015, mais de 50% dos cidadãos optou pela abstenção no primeiro turno.

No entanto, o que está em jogo nestas eleições, cujo segundo turno acontecerá no dia 27 de junho, é importante, uma vez que as 13 regiões francesas têm competência em matéria de transporte público, ensino médio e planejamento territorial, principalmente. Pela primeira vez, várias delas poderiam ser lideradas pelo Reagrupamento Nacional (RN, ex-Frente Nacional), o partido de extrema direita de Marine Le Pen.

De acordo com muitas pesquisas, o RN lidera o primeiro turno em seis regiões e está bem posicionado para conquistar territórios como Provença-Alpes-Côte d'Azur, que inclui as cidades de Nice e Marselha, no sudeste. Para 51% dos franceses, uma vitória deste partido nas eleições regionais não seria "um perigo para a democracia". 

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 "Dinâmica" 

Um sinal de alarme para o presidente Emmanuel Macron quando, de acordo com as pesquisas, Le Pen estaria muito atrás do chefe de Estado no segundo turno da eleição presidencial de 2022. "Para Marine Le Pen, vencer uma região desencadearia uma dinâmica na campanha pré-presidencial", diz Stéphane Zumsteeg, diretor do departamento de opinião da Ipsos.

"Nas últimas eleições regionais, o RN esteve na liderança em seis regiões e não conquistou nenhuma. Temos certeza de que terão muitos votos no primeiro turno, mas o segundo turno é sempre uma questão de alianças", ressalta Christele Lagier, professora de Ciência Política na Universidade de Avignon (sudeste). "Uma abstenção muito alta pode ajudar o partido RN, mas uma vitória ainda é difícil", acrescenta.

Quanto ao República em Marcha (LREM), partido de Macron, não existia nas anteriores regionais de 2015 e não apresenta candidatos à reeleição. "Macron conseguiu não amarrar o seu destino à imagem do seu partido, é um partido jovem não identificado, com dirigentes dos quais pouco sabemos, vemos pouco", diz Zumsteeg.

Pelas pesquisas, nenhuma região cairia nas mãos do LREM, mas por meio de alianças o partido presidencial deve apoiar possíveis vencedores no segundo turno.

Esquerda debilitada 

A campanha expôs as profundas fraturas do partido de direita Os Republicanos, que detém a maioria das regiões. Certos candidatos optaram por aliar-se ao partido presidencial de centro, como Renaud Muselier em Provença-Alpes-Côte d'Azur (sudeste), enquanto alguns líderes do movimento, como Guillaume Peltier, mostram abertamente alguma proximidade ideológica com o RN. Uma lacuna política que complica a tarefa da direita, que espera manter suas regiões e se relançar diante das eleições presidenciais.

Do outro lado do espectro político, a esquerda está dividida entre ambientalistas, socialistas e Insubmissos (partido de esquerda radical). "A esquerda não está em uma posição forte. Está pagando por não ter se recomposto desde 2017, não há liderança na esquerda", diz Lagier. Em 2015, direita e esquerda dividiram as regiões, mas 15 meses depois, nas eleições presidenciais, não se classificaram para o segundo turno. 


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