A rápida cerimônia aconteceu apenas quatro horas depois do traslado do corpo da jovem de Cingapura, para onde havia sido transferida em caráter de urgência na quinta-feira em estado crítico, com lesões internas e cerebrais.
O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e a presidente do governista Partido do Congresso, Sonia Ganghi, compareceram ao aeroporto de Nova Délhi para receber o caixão e oferecer condolências à família da vítima.
A polícia, que já havia bloqueado pontos estratégicos da cidade para evitar manifestações públicas, também isolou o bairro onde a jovem morava, impedindo o acesso da imprensa e de curiosos. Uma vizinha da família, que se identificou como Meena Rai, disse que decidiu comparecer ao funeral porque "realmente amava a jovem".
"Era a mais brilhante de todas as jovens de nosso bairro", completou.
De acordo com Rai, a jovem "havia feito todos os preparativos para seu casamento e planejava uma festa em Nova Délhi". Outra vizinha, Usha Rai, disse que todos sabiam que ela pretendia casar em fevereiro.
Ao mesmo tempo, milhares de pessoas participavam em diverso pontos da cidade de vigílias e cerimônias improvisadas, em homenagem à vítima que o país agora chama de "Filha da Índia". Também foram registradas manifestações em Calcutá, Mumbai e Hyderabad.
A jovem, que não teve a identidade revelada, saiu de um cinema no dia 16 de dezembro e pegou um ônibus com o namorado. No veículo, ela foi agredida de maneira selvagem e estuprada por seis homens embriagados.
Duranta a agressão, ela foi atingida por uma barra de ferro e depois jogada do veículo em movimento. Os seis acusados foram detidos e devem ser acusados de assassinato, um crime que pode ser punido com a pena de morte na Índia.
Os estupros coletivos acontecem quase todos os dias na Índia e muitos não são denunciados pelas vítimas, que não confiam no sistema judiciário e temem a reação dos policiais. Mas a natureza particularmente selvagem deste ataque provocou a revolta da população e levou o governo a prometer mais segurança para as mulheres, além de penas mais severas para os crimes sexuais.
"Vemos a comoção que este incidente tem provocado. São reações perfeitamente compreensíveis de um país que realmente deseja mudança", afirmou Singh em um comunicado. "Como mulher e mãe, entendo a dor. Sua luta não será em vão", disse Sonia Gandhi, líder do governante Partido do Congresso.