O antissemitismo e a judeofobia estiveram na pauta do analista internacional Gabriel Ben-Tasgal, que esteve em Porto Alegre para realizar uma palestra sobre o tema na noite de terça-feira. A atividade, promovida pela Federação Israelita do Rio Grande do Sul, integra a atuação da entidade no fortalecimento do debate público sobre memória, identidade, segurança comunitária e enfrentamento ao discurso de ódio.
Ao abordar o cenário contemporâneo, o especialista chamou atenção para a velocidade com que conteúdos circulam no ambiente digital. “Hoje, o discurso de ódio se espalha com muita rapidez, principalmente nas redes sociais. Muitas vezes, sem contexto ou verificação”, afirmou.
Segundo ele, o fenômeno não está restrito a uma região específica. “Não é um fenômeno isolado. Ele aparece em várias sociedades e precisa ser compreendido para ser enfrentado. Em países onde há promotores do antissemitismo tão identificados, o tema é mais preocupante", disse, ao apontar discursos extremistas e outros fatores como promotores deste tipo de preconceito.
Ben-Tasgal destacou que a construção de espaços de escuta é essencial para reduzir tensões e ampliar o entendimento entre diferentes grupos. O diálogo é considerado fundamental para diminuir o preconceito e a desinformação.
O analista também comentou sobre os conflitos no Oriente Médio, afirmando que são feitas distorções entre o que acontece, de fato, e o que é divulgado pelo Hamas. Segundo ele, os números são diferentes do que foi apurado por ele como parte do seu trabalho. “Quem diz que, apesar das distorções em números, Israel comete um genocídio, tem a intenção de demonizar Israel e não é alguém muito intelectual”, disse.
Com relação ao Brasil, o analista lamentou que as discussões envolvam extremos e destacou que a propagação destes discursos seja ampliada pelas redes sociais. “A internet permite odiar e difundir discursos de ódio de forma anônima. Isso acontece, também, porque os países não têm uma legislação que oriente o enfrentamento às mensagens de ódio nas redes sociais”, acrescentou.
Ben-Tasgal nasceu na Argentina e emigrou para Israel no final da década de 1980, país onde reside há mais de três décadas. É reconhecido por sua atuação como comunicador, educador e analista sobre Israel, Oriente Médio, terrorismo islâmico, antissemitismo e diplomacia pública.
A palestra contempla a atuação da Federação na promoção do debate público. Conforme a presidente da federação, Daniela Russowsky Raad, promover esse diálogo é também uma forma de fortalecer a consciência coletiva sobre o antissemitismo e a judeofobia. “Ostemas que não dizem respeito apenas à comunidade judaica, mas à defesa da convivência democrática, da liberdade religiosa e do respeito à dignidade humana”, disse.